Curitiba

Kraw PenasLonge do estereótipo do vigilante alto e forte, Luís Carlos de Araújo, no entanto, garante tranquilidade à Banca da Glória, assaltada várias vezesEle tem menos de 1,70 metro de altura, voz baixa, postura humilde, trabalha desarmado e sem uniforme. Mesmo assim, o vigilante Luís Carlos de Araújo devolveu segurança à Banca da Glória, no Centro Cívico, em Curitiba. ‘‘Com ele aqui, não tenho mais medo de assalto’’, garante a proprietária do estabelecimento, Analúcia Sampaio.
Faz dois meses que Araújo começou a vigiar a banca, localizada no cruzamento das ruas Marechal Hermes e Ivo Leão. ‘‘É um serviço tranquilo’’, diz o vigilante, que trabalha das 9 às 18h30. Como conhece a freguesia, ele só fica mais alerta quando um estranho se aproxima. ‘‘Não dá medo estar desarmado, o importante é a ‘f钒’, acrescenta.
Analúcia reconhece que Araújo está distante do estereótipo clássico do vigilante, aquele alto e forte a ponto de impor ‘‘respeito’’. ‘‘Mas me sinto tranquila’’, ressalva. Segundo ela, isso prova o quanto a contratação teve um resultado melhor do que o abaixo-assinado dos moradores vizinhos, que pediram mais segurança às autoridades devido aos constantes furtos de carros.
Esse resultado a que a dona da banca se refere é obtido ao custo de R$ 200,00 por mês, mais almoço, sorvete, refrigerante e cigarro. ‘‘Bem mais barato que vigilância eletrônica’’, compara Analúcia. Na verdade, o valor é um pouco maior do que o prejuízo de uma manhã de outubro de 1995, quando dois rapazes armados levaram R$ 100,00.
‘‘Contratar um vigilante foi a primeira coisa que fiz assim que cheguei dos Estados Unidos’’, lembra a proprietária da banca. Enquanto ela esteve fora do País (seu marido, Renato, ex-meia do São Paulo e do Coritiba, joga futebol indoor pelo Alabama Speedkings), houve pelo menos três assaltos ao estabelecimento.
Golpe - Quem sofreu com os assaltos durante um ano foi uma amiga de Analúcia, encarregada de administrar o negócio. ‘‘Chegaram a levar R$ 300,00 em um dos roubos’’, conta a dona da Banca da Glória. O estabelecimento também entrou na lista de lesados pelo ‘golpe do cigarro’, em que um homem bem vestido pede dezenas de maços em nome de um cliente da banca, aproveita um instante de distração da vítima e foge de carro.

mockup