Assaltos em trajeto entre a PUC e uma estação-tubo assusta estudantes
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terça-feira, 01 de setembro de 1998
James Alberti 
O cobrador Nilson Alves do Carmo, que trabalha há cinco meses na estação-tubo próxima ao Teatro Paiol, no bairro Prado Velho, em Curitiba, e um colega pagam R$ 20,00 mensais cada um para ter proteção de um segurança durante à noite. Este é o grau de insegurança que afeta os moradores da região e estudantes da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC). Os alunos passam maus bocados todos os dias por terem que fazer o caminho da universidade até a estaçãotubo.
Entre os problemas enfrentados pelos universitários estão os assaltos frequentes, a falta de iluminação e as tentativas de estupro. Acontecem dois, três assaltos por semana nesse caminho, afirma o cobrador. O medo toma conta dos alunos.
Kraw PenasEscuridãoEstudante de enfermagem, Janaina Poiato, acredita que a causa da violência seja a falta de iluminaçãoA estudante de arquitetura Andréia Benthien Miranda, 22 anos, disse que possui amigas que perdem mais de meia hora esperando um ônibus na universidade para não caminhar pelas oito quadras mal iluminadas que separam a PUC da estação-tubo. Andréia acha que a onda de violência causa uma sensação de pânico nas pessoas, que acabam desconfiando de todo mundo. A gente acaba tendo medo de tudo, em todos os locais e de todas as pessoas, diz ela.
Estudante de enfermagem, Janaina Poiato, 18 anos, acredita que a causa da violência durante o percurso seja a falta de iluminação nas ruas e o pequeno policiamento. Ela faz o trajeto todos os dias, mas acabou sendo assaltada na Praça Zacarias, centro da cidade. Agora, reza para que o mesmo não volte a acontecer na volta das aulas.
Um totem foi instalado próximo ao tubo numa tentativa de minimizar o problema. O policial militar Ademir Franco, que trabalha no totem à noite há uma semana, afirma não ter sido comunicado de nenhum assalto ou qualquer infração contra estudantes durante esse período. A única reclamação tinha ligação, segundo ele, com um assalto a um veículo de um morador do bairro.
Nem todos os estudantes da PUC sofrem com a violência ou se sentem inseguros. O casal de namorados Fabiano Ozahata, 19 anos, e Ana Paula do Nascimento, 21 anos, faz o percurso todos os dias e diz não perceber o problema. Estudantes de informática, os dois afirmam que a violência era maior há cerca de um ano e que teria diminuído de lá para cá.Kraw PenasÍndiceO cobrador Nilson Alves do Carmo diz que pelo menos dois assaltos são registrados no local por semanaCobradores também têm medo de ficar na estação e pagam,
de seu bolso, um segurança para poder trabalhar
Estudantes perdem mais
de meia hora esperando
outro ônibus para não
cruzar quadras escuras


