Assaltos a bancos aumentam 50% no País
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quarta-feira, 30 de maio de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O número de assaltos a bancos no Brasil cresceu mais de 50% nos últimos três anos. Se comparados apenas os dados de 2005 e 2006, o crescimento registrado foi de 10%. Os dados fazem parte de uma pesquisa divulgada ontem pelo professor Cleber da Silva Lopes, especialista em segurança pela Universidade de Campinas (Unicamp), no III Seminário Nacional de Segurança Bancária, em Curitiba. Ele coletou dados sobre assaltos em vários Estados brasileiros para discutir políticas públicas preventivas. A pesquisa demonstrou que ocorreram 585 assaltos a agências bancárias no ano de 2005 (pelas informações repassadas pela Federação Brasileira de Bancos). Em 2006, foram 639 assaltos. ''Dois fatores estão influenciando o aumento de assaltos: mudança interna nas dinâmicas criminais e conivência interna dos vigilantes que atuam em bancos.''
Os grupos criminosos, segundo o professor, estariam deixando de praticar os sequestros tradicionais e os relâmpago para voltar a atuar no roubo a banco - que seria mais lucrativo. ''A atuação dos criminosos, inclusive do PCC (Primeiro Comando da Capital), é cíclica'', salientou. Os governos estaduais comprovaram os dados coletados com a Federação. No Rio de Janeiro, 20 assaltos ocorreram em 2005 e 46 em 2006. Em São Paulo, foram 332 assaltos em 2005 e 441 em 2006. O Paraná não forneceu os dados.
''O Paraná não disponibiliza os dados por uma decisão política. O chefe de gabinete não quis liberar os dados a pedido do secretário de Segurança. Não existe política de segurança pública sem dados. A política precisa ser preventiva e não reativa'', criticou Lopes. O delegado titular da Furtos e Roubos, Rubens Recalcatti, um dos palestrantes, tentou desqualificar os dados, dizendo que em Curitiba os roubos não ocorreriam dentro das agências e, sim, nas imediações. Seriam quatro por dia.
Para o secretário geral da Confederação dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf), Carlos Alberto Cordeiro, a situação é grave. Doze bancários teriam morrido no ano passado por conta dos assaltos. ''O problema ainda é a fragilidade das agências, que forçam o cliente a usar o auto-atendimento e não dão nenhuma segurança.''
Para evitar os assaltos, os sindicalistas pedem que os bancos usem duas portas giratórias na calçada (antes da entrada das agências) e duas para atendimento bancário; câmeras de vídeo; vigilantes bem treinados; e campanha de esclarecimento ao cliente sobre como fazer corretamente as transações bancárias evitando chamar a atenção dos bandidos.
A Secretaria da Segurança Pública do Paraná enviou nota oficial, ressaltando que não é objetivo do Governo divulgar estatísticas para promover encontros e palestras, mas sim utilizar as informações para o trabalho policial e gerenciar as políticas de segurança pública.


