Assalto de R$ 5 milhões faz 30 reféns
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quarta-feira, 18 de abril de 2001
Luciana Pombo e Israel ReinsteinDe Curitiba 
Uma quadrilha assaltou ontem a Empresa de Transporte de Valores Proforte, em Curitiba, fazendo 30 reféns e levando em torno de R$ 5 milhões. A Polícia Civil calcula que participaram do roubo entre 25 e 30 homens fortemente armados. Para efetuar o assalto, foram sequestrados funcionários da Proforte, junto com seus familiares. A ação dos ladrões durou 13 horas - começou às 18h30 de terça-feira e terminou somente ontem pela manhã.
Até o início da noite de ontem a polícia não sabia se os criminosos ainda estavam no Paraná. Até então ninguém havia sido preso. Apenas um Fiat Uno (placa CCG 9193 São Paulo) foi encontrado perto da Base Aérea do Bacacheri. Dentro estavam dois fuzis AR-15, dois M-16, uma granada do Exército, uma pistola 380 e muita munição. A Proforte informou que não vai se pronunciar sobre o assunto.
De acordo com os depoimentos, os assaltantes renderam cerca de 30 pessoas, entre elas quatro crianças, mantidas como reféns até a madrugada de ontem. Toda ação foi cronometrada e rápida. Às 18h30, eles renderam o motorista da empresa, Leonildo Oliveira, e 14 pessoas que estavam em sua residência no bairro São Brás. Até as 23h30, eles já tinham rendido outros três gerentes da Proforte (Odival Wolter, Wanderlei Ortega e outro de nome Gerson). O gerente-operacional Odival Wolter foi o último a ser rendido, por volta das 22h30. Ele e a mulher foram rendidos quando chegavam em casa.
Todos os sequestrados foram levados para uma chácara, na BR-277, em Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba. Enquanto um grupo sequestrava os gerentes, outro rendia moradores da chácara e preparava o lugar para abrigar os reféns. O assalto no prédio da Proforte só teve início por volta das 6 horas de ontem.
Os assaltantes se dividiram em três grupos. O primeiro grupo cuidou dos reféns na chácara de Campo Magro. O segundo grupo forçou os gerentes e o motorista a entrar na Proforte e retirar o dinheiro. Nenhum assaltante entrou na empresa para não ser captado pelas câmeras. Eles (os gerentes) estavam sendo supervisionados pelos assaltantes com câmeras de vídeo e escutas. Foram obrigados a realizar todo o trabalho por causa dos familiares reféns, afirmou o delegado do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Aparecido Rodrigues.
Um terceiro grupo invadiu um barracão da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), no bairro Atuba, e rendeu os funcionários. Neste local, estavam os carros da fuga. De lá, eles teriam ligado para os integrantes da quadrilha que estavam na chácara e avisado sobre o sucesso da empreitada. O telefonema foi feito por volta das 7h40. Os reféns foram todos libertados e a quadrilha fugiu sem deixar vestígios, declarou o delegado.
Pelo relato das testemunhas, a suspeita é a de que a quadrilha seja de São Paulo. Mas alguns integrantes seriam mesmo de Curitiba. Eles teriam dito para os reféns que fizeram com sucesso o assalto na empresa Proforte de Goiânia. Os assaltantes usaram máscaras do Mister M e capuzes durante quase toda a operação. No entanto, oito deles foram vistos sem proteção na face. O retrato falado de três deles foi divulgado ontem. (leia mais sobre o assunto na página 2)


