Uma quadrilha assaltou ontem a Empresa de Transporte de Valores Proforte, em Curitiba, fazendo 30 reféns e levando em torno de R$ 5 milhões. A Polícia Civil calcula que participaram do roubo entre 25 e 30 homens fortemente armados. Para efetuar o assalto, foram sequestrados funcionários da Proforte, junto com seus familiares. A ação dos ladrões durou 13 horas - começou às 18h30 de terça-feira e terminou somente ontem pela manhã.
Até o início da noite de ontem a polícia não sabia se os criminosos ainda estavam no Paraná. Até então ninguém havia sido preso. Apenas um Fiat Uno (placa CCG 9193 – São Paulo) foi encontrado perto da Base Aérea do Bacacheri. Dentro estavam dois fuzis AR-15, dois M-16, uma granada do Exército, uma pistola 380 e muita munição. A Proforte informou que não vai se pronunciar sobre o assunto.
De acordo com os depoimentos, os assaltantes renderam cerca de 30 pessoas, entre elas quatro crianças, mantidas como reféns até a madrugada de ontem. Toda ação foi cronometrada e rápida. Às 18h30, eles renderam o motorista da empresa, Leonildo Oliveira, e 14 pessoas que estavam em sua residência no bairro São Brás. Até as 23h30, eles já tinham rendido outros três gerentes da Proforte (Odival Wolter, Wanderlei Ortega e outro de nome Gerson). O gerente-operacional Odival Wolter foi o último a ser rendido, por volta das 22h30. Ele e a mulher foram rendidos quando chegavam em casa.
Todos os sequestrados foram levados para uma chácara, na BR-277, em Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba. Enquanto um grupo sequestrava os gerentes, outro rendia moradores da chácara e preparava o lugar para abrigar os reféns. O assalto no prédio da Proforte só teve início por volta das 6 horas de ontem.
Os assaltantes se dividiram em três grupos. O primeiro grupo cuidou dos reféns na chácara de Campo Magro. O segundo grupo forçou os gerentes e o motorista a entrar na Proforte e retirar o dinheiro. Nenhum assaltante entrou na empresa para não ser captado pelas câmeras. ‘‘Eles (os gerentes) estavam sendo supervisionados pelos assaltantes com câmeras de vídeo e escutas. Foram obrigados a realizar todo o trabalho por causa dos familiares reféns’’, afirmou o delegado do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Aparecido Rodrigues.
Um terceiro grupo invadiu um barracão da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), no bairro Atuba, e rendeu os funcionários. Neste local, estavam os carros da fuga. De lá, eles teriam ligado para os integrantes da quadrilha que estavam na chácara e avisado sobre o sucesso da empreitada. ‘‘O telefonema foi feito por volta das 7h40. Os reféns foram todos libertados e a quadrilha fugiu sem deixar vestígios’’, declarou o delegado.
Pelo relato das testemunhas, a suspeita é a de que a quadrilha seja de São Paulo. Mas alguns integrantes seriam mesmo de Curitiba. Eles teriam dito para os reféns que fizeram com sucesso o assalto na empresa Proforte de Goiânia. Os assaltantes usaram máscaras do ‘Mister M’ e capuzes durante quase toda a operação. No entanto, oito deles foram vistos sem proteção na face. O retrato falado de três deles foi divulgado ontem. (leia mais sobre o assunto na página 2)

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