O relógio ainda não marcava 10h, mas uma fila já se formava em frente à agência do Banco do Brasil de Tamarana na manhã de ontem. Era dia de pagamento de parte do décimo terceiro e também do salário mensal dos funcionários da prefeitura da cidade. Um carro-forte acabara de deixar malotes na agência que funciona provisoriamente em um prédio cedido pela prefeitura.
De repente, o cenário de normalidade se transformou em local de horror. Três homens armados desceram de um carro, dando gritos de ordem e se apresentando como policiais. Enquanto isso, um outro homem manobrou o automóvel e invadiu a agência com o carro. Os supostos policiais, na verdade, eram ladrões.
''Foi uma cena chocante, um deles estava vestido como um verdadeiro policial, usava até coturnos'', disse um comerciante, que presenciou o assalto e pediu para não ser identificado.
Em uma ação rápida, os assaltantes roubaram malotes e fugiram em alta velocidade pelas ruas da cidade. No entanto, o que poderia ser uma fuga perfeita foi frustrada pela coragem de um dos três policiais que trabalham naquela cidade. Sozinho, o soldado Reinaldo Caçula, 35 anos, perseguiu os bandidos.
Casado, pai de dois filhos e 16 anos de Polícia Militar (PM), ele fazia sua ronda com uma viatura quando foi avisado do assalto. Não teve dúvidas; pedindo informações a todos que encontrava pela rua, alcançou os bandidos, que já se deslocavam por uma estrada vicinal, na região de Guaravera, divisa entre Londrina e Tamarana. Mesmo em desvantagem numérica e também de armamentos em relação aos ladrões, Caçula iniciou uma perseguição.
Para piorar a sorte dos bandidos, um buraco na estrada estourou o pneu do carro que eles utilizavam na fuga, um Renault Mégane alugado de uma locadora de automóveis de Curitiba. Com dificuldades para dirigir o veículo, os assaltantes pararam em uma fazenda e abriram fogo contra o policial solitário. Segundo a polícia, pelos cartuchos encontrados próximo ao local de onde partiram os tiros, os ladrões utilizaram armas de grosso calibre e alto poder de destruição.
Protegido pela viatura, que foi perfurada pelas balas em pelo menos quatro locais, o soldado respodeu com sua pistola .40. Um dos tiros disparados pelos bandidos, de uma arma calibre 45, quase atravessou o veículo policial, entrando pelo pára-brisa e parando no porta-malas.
''A adrenalina é enorme em um momento desses, mas, naquela hora, pensei que iria morrer. Se eu não gostasse da profissão, iria amanhã mesmo ao quartel pedir baixa'', comentou Caçula, que recebeu elogios dos colegas e até do comandante do 5º batalhão de Polícia Militar (5º BPM).
Depois do tiroteio, os ladrões foram vistos correndo em direção à mata ciliar de um córrego que o pessoal da região chama de Santa Cruz. Policiais de Londrina, Marilândia do Sul e Apucarana foram mobilizados para cercar a área e iniciar uma varredura.
Logo, encontraram dois coletes à prova de balas, um deles com emblema da Polícia Civil e um malote com R$ 9,4 mil em dinheiro no matagal. Um outro colete, com emblema de uma empresa de segurança, foi encontrado no automóvel abandonado pelos ladrões. Ontem, a polícia ainda não sabia se esse colete estava sendo utilizado pelo segurança do banco.
O Pelotão de Cavalaria do 5º BPM também foi mobilizado para ajudar na caça aos assaltantes. A FOLHA acompanhou mais de cinco horas de busca policial pela mata; no entanto, até o fechamento desta edição, nenhum dos bandidos havia sido encontrado.
Como a região ao redor da mata está ocupada por uma grande lavoura de soja, com as plantas ainda muito baixas, os policiais acreditavam que a possibilidade de os ladrões conseguirem escapar era pequena. Porém, o major César Kogut, comandante do 5º BPM, que foi pessoalmente ao local para também comandar as buscas, não descartava a hipótese de os ladrões terem saído da mata e conseguido fugir pela rodovia PR-445, que fica a apenas sete quilômetros dali.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Banco do Brasil, mas não recebeu resposta sobre a quantia total de dinheiro roubada da agência de Tamarana. (Colaborou Luciano Augusto).

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