Uma tentativa de assalto seguida de sequestro ocorrida na tarde de ontem em Foz do Iguaçu terminou com a morte do assaltante e deixou um cirurgião dentista gravamente ferido. A recepcionista da clínica odontolológica foi socorrida sem ferimentos. O crime durou três horas e envolveu perto de 70 homens do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal e Siate.
O episódio teve início às 14 horas, quando Luciano Santos Dutra, 22 anos, chegou a Dental Clin, centro da cidade, para tratar de uma suposta dor de dente. A consulta teria sido agendada e paga pela manhã. O suposto paciente rendeu a recepcionista Ana Maria Soma Vila, 19, e o endodontista Marcelo Cardoso Leite, 31. Os dois eram as únicas pessoas presentes no consultório no momento da abordagem. O quarteirão foi isolado, interrompendo o trânsito de pedestres e veículos.
Menos de meia hora depois, o assaltante obrigou a secretária a ligar para um irmão de Marcelo com objetivo de repassar as exigências para libertá-los: R$ 20 mil, um colete à prova de balas e um carro para fugir com os reféns. As reivindicações deveriam ser atendidas até às 17 horas, conforme informou posteriormente a atendente da clínica, situada à Rua Tarobá, 801.
Apesar da família ter fornecido o dinheiro e um automóvel Marea, às 16 horas, os comandantes da operação resolveram levar a negociação adiante na expectativa de convencer o crimoso a se render. Após as primeiras conversas com o sequestrador, o delegado da 6ª Subdivisão da Polícia Civil (SDP), Luis Gilmar da Silva, afirmou que a situação ‘‘estava sob controle’’, embora Luciano Santos apresentasse oscilações de comportamento, alternando piadas e ‘‘atitudes preocupantes’’, relatou
Prestes a terminar o prazo estabelecido pelo assaltante (17 horas), o promotor de Justiça Acir Bueno de Camargo, acompanhado de 11 policiais encapuzados do GOE, entrou no terreno da clínica. A proposta era ganhar mais tempo para o acordo. Porém cinco minutos depois do horário marcado foi disparado um tiro. Em seguida, ocorreram pelo menos mais nove tiros. Durante o tiroteio, os soldados invadiram a clínica e conseguiram libertar a recepcionista Ana Maria Soma Vila, que saiu sem ferimentos à bala (ver matéria nesta página).
Encerrada a troca de tiros, os policiais retiraram o cirurgião dentista da sala de atendimento. Ele foi ferido com um tiro de raspão na nuca. Um segundo projétil teria atingido uma perna. A vítima foi encaminhada pelo Siate ao hospital Santa Casa Monsenhor Guilherme. Até às 19 horas, o estado de saúde do dentista continuava grave. O sequestrador foi morto durante o tiroteio. O GOE admitiu a autoria dos disparos que mataram o crimoso, porém foi cogitida a hipótese dele ter cometido suicídio. O Instituto Médico Legal (IML) não informou quantos tiros atingiram Luciano Santos Dutra.

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