Apucarana - ''O pior momento foi quando um dos assaltantes deu um tiro contra o policial. Naquela hora tinha a certeza que iria morrer.'' Esse foi o desabafo do empresário apucaranense Gilson Ribeiro, 64 anos, ontem de manhã, logo após ter passado por momentos de terror ao lado de sua funcionária, de 32 anos.
Durante uma hora eles foram reféns de uma dupla de assaltantes, que, de acordo com policiais e com o próprio empresário, tinha conhecimento sobre a rotina da empresa.
O assalto aconteceu por volta das 8 horas, em Apucarana (Norte), em frente ao Shopping Tropical, um dos empreendimentos de Ribeiro. Eles foram abordados por dois homens, um de 23 anos outro de 26, no momento em que deixavam o estacionamento.
Os assaltantes pararam o veículo para pedir informações e deram voz de assalto, entrando rapidamente no carro. Os quatro seguiram para o escritório do empresário, que fica próximo ao local, com objetivo de roubar o cofre da família.
Segundo o empresário, a dupla chegou a tomar posse de alguns documentos e valores, mas eles foram obrigados a entrar novamente no carro e seguir até Bandeirantes (Norte). ''Durante todo o percurso eles ameaçavam nos matar. Faziam várias ligações do celular e demonstravam conhecer toda nossa rotina. Tudo me leva crer que eles estavam nos observando há muito tempo'', conta Ribeiro, que ao chegar em Arapongas sugeriu uma parada em um caixa eletrônico para sacar dinheiro e alertou sobre a falta de combustível.
''Assim que eles resolveram parar no posto, avistei uma viatura da Guarda Municipal pelo retrovisor. Nessa hora, me senti mais seguro'', relembra. De acordo com os guardas municipais Antônio Ribeiro e Odair Jacinto, eles estavam em patrulhamento quando foram comunicados pela Polícia Militar de Apucarana. ''Minutos depois, cruzamos com o veículo Fusion. Os assaltantes se apavoraram e até tentaram nos despistar, mas outras viaturas foram se aproximando e eles pararam em um posto na Região Central'', afirma o guarda Ribeiro.
Negociação
Segundo o delegado Walter Helmut, que comandou a negociação junto com capitão Ademir Fonseca, comandante da 7 Companhia Independente da Polícia de Arapongas, ninguém se feriu e os bandidos foram presos.
''Quando chegamos ao local, eles efetuaram um disparo contra um policial, mas por sorte nada aconteceu. Procuramos acalmar os assaltantes, que estavam muito apreensivos e pediam um veículo para fuga e a presença da imprensa'', diz Fonseca.
A negociação mobilizou 15 policiais e durou uma hora. Durante todo o processo, a dupla manteve os reféns na mira de revólveres, em frente à conveniência. ''Eu fiquei escondido quando percebi que era um assalto. Assim que um deles me viu, perguntou quem eu era e me mandou sair pelos fundos. Foi terrível o sofrimento das vítimas'', conta o proprietário do posto Jaime dos Santos.
A dupla se rendeu e foi levada à delegacia local. Eles seriam encaminhados para Bandeirantes e Apucarana, onde residem e, responderão por crime de assalto seguido de sequestro.
Segundo o delegado Helmut, tudo indica que há o envolvimento de outras pessoas. ''Eles são ligados ao crime e provavelmente pertencem a uma facção criminosa'', afirma. Ainda assustado, o empresário revela que foi o segundo assalto à empresa nas últimas semanas. Ele acredita que há ligação entre os crimes.

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