Assalto assusta pescadores no Paraguai
Paulo Pegoraro
De Cascavel
Três pescadores de Cascavel descreveram como absoluto horror a situação que enfrentaram quando se dirigiam a Puerto Ayolas, no Paraguai, para pescar no Rio Paraná, local considerado paraíso da pesca. O maestro Gilberto Brandalise, 47 anos, o fazendeiro Valdomiro Rebelatto, 48, e o pequeno industrial Olímpio Filipini, 58 anos, foram assaltados, sofreram violências físicas, foram humilhados pela polícia paraguaia e tiveram que pagar propina para obter documento reconhecendo terem sido vítimas do assalto.
Os três saíram de Cascavel na tarde de domingo, em uma caminhonete F-1000 ano 98, e deveriam chegar ainda à noite a Puerto Ayolas, a 650 quilômetros de distância. A 350 quilômetros da fronteira com o Brasil, nas proximidades de Coronel Bogado, foram atacados por dois paraguaios que estavam em um Tempra. Os atacantes usavam uma pistola e uma escopeta (calibre 12). O Tempra emparelhou com a F-1000, e um dos homens encostou a escopeta na janela, obrigando o condutor, Valdomiro Rebelatto, a encostar. Ao deixarem a caminhonete, os três começaram a ser agredidos.
Gilberto Brandalise recebeu uma pancada na cabeça desferida com o cano da escopeta. Eles foram levados para a mata e obrigados a se deitar de costas. O forte odor de carne putrefata levou-os a imaginar que se tratasse de local de execuções usado por quadrilhas. Só nos restou rezar e pedir que poupassem nossas vidas, conta Brandalise. Os assaltantes levaram a caminhonete, jóias, celulares e cerca de US$ 3,5 mil. No total, o prejuízo é de aproximadamente R$ 50 mil.
Os três foram então para a rodovia pedir carona. Nenhum motorista parava. Brandalise se ajoelhou no meio da pista obrigando um carro a parar e levá-los a um hospital. Depois de medicados, foram para um posto da Polícia Nacional em Coronel Bogado, onde ficaram retidos por seis horas e meia, enfrentando ironias e gozações dos policiais. Os policiais os levaram de volta ao local do assalto, e se recusavam a fornecer documento atestando a ocorrência. Só o fizeram mediante o pagamento de R$ 200,00, dinheiro que Valdomiro Rebelatto havia guardado (por precaução) na meia, logo ao ingressarem em território paraguaio.
Antes de deixar o posto policial, uma pessoa telefonou para o local, pediu para falar com Valdomiro, dizendo ser da Polícia em Assunção, e que teria informações sobre o paradeiro da caminhonete. Segundo Valdomiro, a pessoa disse que ligaria nos próximos dias para o telefone de sua casa, em Cascavel, para tratar do assunto. A mesma pessoa que prestou socorro na rodovia se encarregou de conduzir os três até Ciudad del Este, na fronteira, onde eles pegaram um táxi até Cascavel.
Eles registraram a ocorrência em Cascavel. Gilberto Brandalise disse que ele e seus amigos costumeiramente pescavam no Paraguai, e afirma que não mais voltarão. No Paraguai a criminalidade é assustadora e, segundo soubemos, acobertada por policiais, mancomunados com quadrilhas ou que extorquem as vítimas, disse.Grupo de Cascavel sofreu agressões, perdeu uma caminhonete e teve que pagar propina para obter cópia da ocorrência na polícia
Edson MazzettoMEDOO maestro Gilberto Brandalise foi agredido a coronhadas na cabeça e temeu ser executado pela quadrilha: No Paraguai, a criminalidade é assustadora





