O Sindicato das Lotéricas está preocupado com o aumento de assaltos aos estabelecimentos em Londrina e quer mais segurança. Só nos últimos 10 dias, foram três ocorrências na cidade. A Lotérica Bonesi, na Rua Guaporé, foi assaltada duas vezes neste período. ‘‘Os ladrões estão achando que as lotéricas têm dinheiro em caixa. Mas isto não corresponde à realidade. Quando descobrem que vão levar pouco dinheiro ficam até irritados. Corremos o risco deles machucarem alguém’’, alerta o presidente da entidade, Aldemar Bemvindo Mascarenhas.
Londrina tem hoje 22 casas lotéricas e, segundo o sindicato, é a segunda cidade com mais assaltos ao setor do Estado, vindo depois de Curitiba. Mascarenhas argumenta que as lotéricas estão sendo visadas pelos assaltantes porque têm um grande movimento de público. ‘‘Nossa preocupação principal é com a clientela. Hoje várias pessoas vão às casas lotéricas para pagar contas e precisam de segurança’’, afirma. Ele teme que, com a chegada do final do ano, o número de assaltos aumente e acabe acontecendo uma tragédia.
‘‘A gente fica assustada e com medo’’, resume Elizabete Mike Nagano, 33 anos, que trabalha na Lotérica Trevo de Ouro, na Avenida Higienópolis, há três anos. A lotérica foi assaltada no último dia 17. Ela conta que dois homens entraram no estabelecimento parecendo ser clientes, tiraram o capacete, apontaram as armas e deram voz de assalto. No momento do roubo havia apenas dois clientes na lotérica. ‘‘Eles não acreditaram que só tinha aquele dinheiro e foram até o escritório exigindo mais. Foi difícil convencê-los de que era só aquilo mesmo. Nossa sorte é que eles não eram violentos’’, comentou. A lotérica já tinha sido assaltada em outubro de 97.
As lotéricas, diz Aldemar, trabalham dentro de um sistema que não deixa dinheiro em caixa. ‘‘Dificilmente o ladrão vai encontrar mais de R$ 400,00 em caixa’’, afirma. Desde o início do ano o Sindicato das Lotéricas vem pedindo que as polícias Civil e Militar incluam as lotéricas na sua rota de segurança. Mascarenhas afirma que no começo do ano a entidade encaminhou ofícios ao 5º Batalhão da Polícia Militar e à Secretaria Estadual de Segurança Pública solicitando uma atenção especial para as lotéricas.
‘‘Até agora não obtivemos resposta’’, lamenta. A possibilidade de cada lotérica contratar um segurança foi descartada por Mascarenhas. Ele explica que a maioria das lotéricas não teria condições de arcar com o custo de um profissional da área. ‘‘Oneraria demais o negócio.’’
O comandante do 5º BPM, tenente-coronel Ademir Costa, informou ontem à Folha que é impossível atender a reivindicação das lotéricas. ‘‘Para a polícia todos são importantes na comunidade. Nosso trabalho é oferecer segurança a toda população de forma geral, sem privilegiar nenhuma pessoa ou loja’’, enfatizou. O comandante explicou ainda que o número de viaturas - 150 para atender Londrina, distritos e outros quatro municípios - já é pequeno para a demanda de policiamento geral. ‘‘Mesmo que quiséssemos, seria impossível dar atendimento específico a uma casa, bairro ou loja’’, afirma.

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