Assalto
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de março de 1997
Osmani Costa 
Marcos BorgesJunto com as drogas, o número de assaltos a bancos é o que mais nos preocupa atualmente
José Roberto Morel, delegado-chefe da Polícia Federal
Já não se pode ir ao banco pagar uma conta ou sacar algum dinheiro impunemente em Londrina. O risco de ser vítima ou no mínimo testemunha de um assalto é concreto e crescente. No ano passado, aconteceram 27 assaltos em todas as regiões da Cidade, o que equivale a mais de dois por mês. Foram alvos de assaltos 13 postos de serviços (PS), 12 agências e dois caixas eletrônicos, pertencentes a dez diferentes bancos.
Em janeiro e fevereiro deste ano, os assaltos somaram sete - o que eleva a média para três e meio por mês. Isto significa que está ocorrendo um assalto a banco quase todas as semanas em Londrina. Segundo levantamentos dos sindicatos dos Vigilantes e dos Bancários, os PS e agências mais assaltados são os dos bancos Bradesco, Bamerindus e Banestado. Não coincidentemente, estes estabelecimentos são os que apresentam menos equipamentos e pessoal de segurança; ou seja, eles facilitam a atuação dos assaltantes e colocam em risco as vidas de seus clientes e funcionários, acusa o diretor de saúde e condições de trabalho do Sindicato dos Bancários, João Antonio da Silva Neto.
Londrina conta com 54 agências e 52 postos de serviços de 27 bancos. Os campeões de insegurança no ano passado foram os postos de serviços do Banestado nos Cinco Conjuntos (zona norte) e no jardim Bandeirantes (zona oeste), ambos com três assaltos; e as agências Mister Thomas (zona oeste) e Lago Parque (zona sul) do banco Bamerindus, com dois assaltos cada uma. O PS do Banestado no jardim Bandeirantes foi, inclusive, fechado no mês passado em consequência de tantos prejuízos.
Antigamente, era muito difícil acontecer um assalto a banco em Londrina. Isto está se tornando rotina, porque os bancos deixaram de investir em segurança. Pior do que não contar com porta detectora de metais e o circuito interno de TV, que poderiam dificultar a ação dos bandidos, foi a demissão em massa de vigilantes que trabalhavam nas agências, afirma o presidente do Sindicato dos Vigilantes, Gabriel Trindade. O Banestado, por exemplo, demitiu todos os seus vigilantes durante o governo de Roberto Requião. Os PS de todos os bancos funcionam sem nenhum vigilante e são alvos fáceis para os ladrões.
De acordo com Trindade, os bancos chegaram a empregar cerca de 700 vigilantes em 1990; hoje, eles não passam de 350. Muitas das agências desrespeitam a lei sobre segurança bancária e funcionam com apenas um vigilante, ao invés dos dois exigidos. Nelas, as estatísticas mostram que os assaltos ocorrem quase sempre entre as 12 e 14 horas, intervalo de tempo em que o vigilante está almoçando. Os assaltos acontecem basicamente entre os dias 5 e 10 de cada mês, período de maior movimento de dinheiro nos bancos porque concentra grande parte dos pagamentos de impostos e recebimento de salários.
Assaltos estão se tornando rotina, porque os bancos deixaram de investir em segurança
Gabriel Trindade, presidente do Sindicato dos Vigilantes
A responsabilidade pela fiscalização da qualidade de segurança nas empresas bancárias é da Polícia Federal (PF), que no entanto não trabalha na prevenção e nem na investigação de assaltos neste setor. Juntamente com a questão das drogas, o número de assaltos a bancos é o que mais preocupa a PF de Londrina atualmente. A lei de segurança bancária é antiga e só prevê dois dispositivos: vigilantes e alarme interligado às delegacias. Quase todos os bancos cumprem isto; muitos estão inclusive melhores do que a lei exige, garante o delegado-chefe da PF na Cidade, José Roberto Morel.
Segundo ele, apesar do pequeno efetivo de que dispõe, a PF prossegue fiscalizando e notificando os bancos que não respeitam a lei. A questão da porta detectora de metais, do circuito de TV e outros equipamentos que possam aumentar a segurança - que são bem-vindos - é uma lei municipal ainda não em vigor e que, portanto, os bancos não são obrigados a cumprir e a PF não tem como fiscalizar, explica Morel. Somente 17 agências, de 12 bancos diferentes, contam com portas eletrônicas na Cidade. Nenhum PS conta com elas e nenhum caixa eletrônico possui sequer vigilantes.
Na opinião do delegado da PF, as pessoas deveriam escolher para serem clientes as agências bancárias que lhes garantissem maior segurança. João Antonio Neto, do Sindicato dos Bancários, concorda: Nesta época de qualidade total, o cliente deve se preocupar se o seu banco tem ou não a segurança que lhe garanta continuar vivo e com saúde. Porque, o dinheiro do banco, o seguro garante.
O supervisor regional de serviços do Bamerindus, Roberto Betoni, afirma que o banco está preocupado com a questão da segurança em suas agências e está pondo em prática um programa de maiores investimentos neste setor. Três agências do Bamerindus - Mister Thomas, Lago Parque e Shangri-lá - terão portas detectoras de metais instaladas nos próximos 60 dias. Gradativamente, todas as outras receberão também as portas e outros equipamentos que diminuam a possibilidade de assaltos, diz.
De acordo com o gerente da agência Tiradentes do Banestado - à qual está vinculado o PS dos Cinco Conjuntos -, Wilson Maeda, a onda de assaltos gera transtornos para clientes e funcionários e preocupa muito a direção do banco. Estamos em processo de licitação, e em maio instalaremos a porta eletrônica e circuito interno de TV no PS da zona norte, além de aumentarmos lá o número de vigilantes. Em decorrência de ação dos sindicatos de Bancários e Vigilantes, o Ministério Público do Trabalho determinou que o Banestado mantenha, no mínimo, dois vigilantes por agência. O prazo máximo para o cumprimento desta determinação é 30 de abril.
Os gerentes e diretores regionais do Bradesco em Londrina não estão autorizados a conceder entrevistas à imprensa. Eles encaminharam o contato da Folha para a assessoria de imprensa e marketing da matriz, em São Paulo. O contato foi mantido e a entrevista, com algum diretor, solicitada. A assessoria prometeu que retornaria a ligação telefônica para informar a posição do banco sobre a insegurança em suas agências na Cidade, mas não o fez.


