Cerca de trinta pessoas - metade funcionários, metade clientes - compartilharam momentos de pânico na manhã de ontem, quando uma quadrilha de assaltantes invadiu um estabelecimento comercial na Rua Guaporé (Vila Nova). Três foram vítimas de chutes e coronhadas. ''Já somos assaltados pelo governo e agora também temos que pagar o pato pela falta de segurança'', desabafou Nunes de Oliveira Filho, 53 anos, proprietário da Loja dos Parafusos.
Apesar de ter visto muitos vizinhos serem roubados, ele não esperava que os bandidos tivessem a ''ousadia'' de assaltar um local onde o movimento é constante. Mas foi justamente o grande número de vítimas em potencial que atraiu os quatro homens armados à loja, por volta das 10 horas da manhã. ''Chegaram todos de capacete, em duas motos, com uma pistola e três revólveres. Foi aquele 'todo mundo deitado, não olha para os lados'. Tiraram o que tinha no caixa e depois começaram a revistar os funcionários e clientes'', relatou.
Um dos vendedores, um rapaz novo que está no seu primeiro emprego, já conheceu o sentimento do trabalhador que sai de casa sem saber se volta. ''Não estava preparado para isso. Fiquei em pânico e minha única reação foi ficar olhando para o assaltante. Falei que não tinha nada, ele me revistou e depois pisou na minha perna'', contou. Segundo Nunes, um antigo cliente da loja também foi agredido com coronhadas, sem qualquer motivo aparente.
Num primeiro balanço, o comerciante apurou que R$ 2,5 mil foram levados da loja. Os clientes tiveram carteiras, relógios e celulares roubados. Um deles mora em São Paulo e jamais fora assaltado antes. ''É a prova de que a gente não está livre disso em lugar nenhum'', comentou.
Nunes lembrou que, na semana passada, chegou a cogitar a contratação de um segurança em conjunto com outros comerciantes. ''É o que as pessoas fazem agora. É como se fosse um imposto a mais que a gente paga porque esse governo não cumpre seu dever'', vociferou o comerciante, agradecendo a Deus ''por ninguém ter se ferido mais gravemente''.
Até o final da tarde, tanto a Polícia Militar quanto a Civil não tinham qualquer informação sobre a autoria do assalto. O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Sérgio Luiz Barroso, comentou que as vilas Casoni e Nova e o Centro Histórico de Londrina são as regiões com maior incidência de furtos e roubos, conforme dados apurados pelo sistema de geoprocessamento de crimes implantado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública. Nestas áreas, a Polícia Militar apontou que tem feito blitz e operações de abordagem na tentativa de coibir a criminalidade. A PM lembrou ainda que a comunidade pode ajudar fazendo denúnicas anônimas para o 181. (Colaborou Luciano Augusto)

mockup