Luciana Pombo
De Curitiba
Os assaltantes do Banestado de Bocaiúva do Sul disseram ontem que resolveram praticar o assalto ao banco porque estavam enfrentando dificuldades econômicas. ‘‘A nossa idéia era pegar o dinheiro sem ferir ninguém e ir embora para a casa, ajudar a família’’, declarou Luciano Cordeiro, apontado como líder da quadrilha. Foi ele quem negociou o fim do sequestro com a Companhia de Choque da Polícia Militar. Ele contou que era digitador e há um ano está desempregado. ‘‘Eu estava desesperado, meu pai teve um derrame cerebral e minha família precisava de dinheiro. Achei que assaltar seria uma forma rápida de conseguir o dinheiro que precisava’’, contou.
Cordeiro negou que tenha realizado um sequestro. Ele alegou que nunca usou a família Piovesan como moeda de troca. ‘‘Apenas estávamos naquela casa porque queríamos sair vivos de toda esta história. Nunca quisemos machucar ninguém. Só queríamos ficar em paz’’, declarou. Mesmo dizendo que perdeu tudo o que tinha na vida com sua prisão, ele garantiu que não está arrependido. ‘‘Se eu estivesse na mesma situação financeira, com medo de ver minhas irmãs morrendo de fome, faria tudo de novo’’, afirmou ele.
O desempregado negou que tenha praticado outros assaltos no Paraná. Ele disse que conheceu os demais participantes do crime no bairro do Sítio Cercado, em Curitiba. Como todos estavam em difícil situação financeira, o assalto foi planejado. ‘‘Não pensamos na possibilidade de aparecer a polícia no banco na hora do assalto. Não estávamos preparados para isto’’, explicou.
Divonir Marcondes Domingues e Manoel José França – de acordo com a polícia – têm antecedentes por roubo em Guarapuava. Eles não quiseram ser fotografados ou conversar com a imprensa. Apenas reafirmaram que estavam desempregados. ‘‘Temos a suspeita de que eles fazem parte de uma quadrilha nômade de assalto, que já passou por Arapoti, Piracicaba, Campinas e Curitiba’’, declarou o major Ademar Moletta, comandante da operação anti-sequestro. Cordeiro nega. ‘‘Nunca participamos juntos de qualquer tipo de assalto’’, afirmou.
Luciano Cordeiro disse que desde o início – do que ele chamou de negociação com a polícia –, os três pediam apenas a presença da imprensa, das autoridades policiais e garantia de vida. ‘‘Só não queríamos que acontecesse conosco o que aconteceu com nosso amigo’’, falou, lembrando da morte de João Oliveira, ainda no Banestado.
Segundo o delegado Mário Ramos, titular do Cope, eles serão indiciados por formação de bando ou quadrilha, roubo, porte ilegal de armas, sequestro e cárcere privado.

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