Da Sucursal
Os funcionários e pacientes do Laboratório Municipal de Curitiba, localizado no meio da favela do bairro Parolin, estão assustados com a falta de segurança da região, onde não há nenhum módulo policial. Em uma semana, ocorreram pelo menos quatro assaltos na entrada e saída do laboratório. Duas funcionárias foram espancadas após resistirem aos roubos. A técnica em patologia Lídia de Ramos ficou seis dias internada no Hospital Evangélico após sofrer traumatismo craniano e de coluna.
A telefonista do laboratório Deodete Carmo de Pontes conta que estava no ponto do ônibus Alferes Poli, nas proximidades do laboratório, por volta das 13 horas, quando foi abordada por um rapaz de aproximadamente 20 anos de idade, loiro, olhos azuis e boa aparência.
‘‘Ele estava bem vestido, começou a conversar comigo e eu nem percebi que se tratava de um roubo’’, explicou a telefonista. ‘‘Quando notei ele já estava avançando na minha bolsa. Fui me defender e ele me empurrou violentamente sobre o asfalto.’’
Deodete sofreu um desligamento na rótula esquerda e terá que ficar um mês em casa, imobilizada, com uma das pernas engessada e a outra enfaixada. ‘‘Eu trabalho há cinco anos no laboratório e sempre houve falta de segurança’’, afirmou. Ela disse que os 160 funcionários e cerca de 200 pacientes que passam todos os dias pelo local estão vivendo um clima de medo e tensão.
‘‘Na sexta-feira antes do Carnaval, uma paciente que tinha ido fazer um raio-X também foi assaltada na saída, em plena luz do dia, além de outros funcionários que também já foram agredidos e assaltados’’, denunciou. Ela acredita que os moradores da favela do bairro sejam os responsáveis pelas ações.
‘‘As pessoas que saem do laboratório vêm aqui para lanchar e falam sobre os assaltos e sobre o medo de circular pela região’’, disse a funcionária de uma lanchonete próxima, Regiane Fagundes. Ela mora no bairro há cinco anos e conta que à noite o local se torna ainda mais perigoso. ‘‘Evitamos sair de casa’’.
O laboratório, único municipal da cidade, realiza exames de análises clínicas e radiológicos e atende pacientes de todas as unidades municipais de saúde de Curitiba.
O comandante do 13º Batalhão da Polícia Militar, responsável pela segurança do local, Elba Maximiano, confirmou que não existem módulos na região. Segundo ele, é feita diariamente uma ronda de rotina no bairro, especialmente à noite. ‘‘Não tínhamos conhecimento destes assaltos, mas vou mobilizar imediatamente um policiamento mais efetivo para as proximidades do laboratório’’, garantiu.

mockup