Um assaltante que vem tirando o sono dos moradores da Região Central de Londrina há mais de uma semana deu ontem mostras de que não teme o poder de reação das polícias Militar e Civil. Pela manhã, segundo vítimas, ele teria voltado a agir nas proximidades da Rua Souza Naves com Avenida Bandeirantes e provocado grande confusão. Novamente, conseguiu escapar ileso. O delegado da Divisão de Furtos e Roubos da 10 Subdivisão Policial, Manoel Pelisson, não descartou que os crimes tenham sido praticados pela mesma pessoa.
O jornalista Oswaldo Militão, colunista da Folha de Londrina, vítima de assalto na quarta-feira passada, passava ontem pela Rua Souza Naves quando se deparou com a confusão. Ele descreveu que o rapaz havia feito um assalto na Avenida Bandeirantes e, na fuga, invadiu o veículo de uma senhora que se preparava para sair. Com uma arma, ele obrigou a vítima a dirigir. Amendrotada, ao tentar movimentar o carro ela acabou se chocando com duas motocicletas, parou o carro e fugiu correndo. ''Eu atravessei o carro na rua e comecei a gritar'', afirmou o jornalista.
O assaltante, segundo Militão, saiu do carro e abordou um funcionário da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), que passava com uma camionete. Segundo a Polícia Militar (PM), o funcionário foi obrigado a entregar R$ 50,00 em dinheiro, um telefone celular e a camionete, com a qual o assaltante conseguiu fugir. O veículo foi encontrado abandonado pouco tempo depois na Rua Brasil, também na Área Central.
Militão disse que o assaltante tem as mesmas características do rapaz que assaltou sua residência, na Rua Raposo Tavares, na última quarta-feira à noite. Depois, o mesmo rapaz teria feito uma outra vítima na mesma rua e a obrigou a levá-lo até um bairro da Zona Sul. Antes disso, na tarde da segunda-feira, um senhor já havia sido vítima de um sequestro-relâmpago quando passava de carro no cruzamento das ruas Souza Naves com avenida JK, e também teve de dar fuga ao assaltante até a Zona Sul. No mesmo cruzamento, uma médica também sofreu agressão idêntica quando estacionava seu carro para participar de um evento no Hotel Sumatra.
A onda recente de ações semelhantes na região chamou atenção até da Igreja Católica. O padre César Braga, da paróquia dos Sagrados Corações, localizada no cruzamento da Rua Mato Grosso com JK, vem pedindo durante as missas para que os fiéeis tenham cuidado ao chegar e sair.
Pelisson disse que está investigando a possível relação entre todas as ocorrências registradas naquela região desde a última semana. ''O modus operandi é praticamente o mesmo e estamos investigando'', apontou o delegado, sem detalhar o trabalho policial que será colocado em prática.

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