O cafezinho é um hábito quase imutável do brasileiro. A única novidade admitida, em grande parte por necessidade, é a substituição do açúcar pelo adoçante. Mas ainda é comum ver gente torcendo o nariz para a alternativa, considerada mais saudável. A crítica é contra o sabor, que seria modificado pelo uso de produtos diferenciados.
Para especialistas no assunto, porém, não deveria haver motivo para tanta reclamação. Mesmo concordando que existe alteração no paladar, o número de vantagens do adoçante é, para eles, compensador.
Um exemplo é o aspartame, um dos edulcorantes (adoçante intenso) mais usados no mundo. Presente nos mais diferentes produtos, do adoçante em gotas a alimentos, é um composto artificial com restrições mínimas para o consumo humano. É preparado em laboratório a partir da união de cópias de duas moléculas chamadas de aminoácidos: ácido aspártico e fenilalanina.
É o que tem um sabor de maior qualidade entre todos os tipos de edulcorantes. Uma boa notícia, principalmente para os diabéticos, que podem ter acesso a alimentos com sabor e com risco quase zero à saúde.
''É uma substância recomendada a todos os que têm que evitar o açúcar. O uso é tranquilo e sem contra-indicações. Antes o alimento dietético tinha fama de ruim. Hoje o diabético pode passar bem'', afirma o endocrinologista Francisco Marquezine.
A única restrição para o consumo é para os portadores de fenilcetonúria, que não podem ingerir nenhum alimento que contenha fenilalanina, um dos aminoácidos que formam o aspartame. O índice médio de pessoas que sofrem desse mal é de 0,1% da população mundial.
A doença é identificada pelo Teste do Pezinho e o efeito do uso do adoçante por um período reduzido pode ser a incidência de retardo mental. A fenilalanina, que compõe o aspartame ao lado do ácido aspártico, também é encontrada em carnes, leite e outros alimentos protéicos e em níveis muito maiores. São substâncias naturais normalmente metabolizadas pelo organismo.
Para o engenheiro químico Amaury Couto, proprietário de uma fábrica do ramo em Marialva (17 km a leste de Maringá), os produtos diet e light ainda sofrem preconceito dos consumidores. A discriminação seria resultado da antiga classificação dos adoçantes, considerados medicamentos no País até 1988.
A liberação para a venda em mercados, e não mais apenas nas farmácias, provocou um salto na movimentação financeira dos produtos diet e light no País. Em 15 anos cresceu de US$ 30 milhões por ano para cerca de US$ 2,8 bi por ano.
Uma das desvantagens do aspartame é a frágil ligação entre as moléculas. O resultado é que o uso não é recomendado para alimentos de forno e fogão. ''É muito difícil substituir o açúcar nesses casos porque a ligação 'quebra' e o bolo, por exemplo, não fica adocicado. A solução é misturar de diferentes edulcorantes, uma multimistura que está sendo desenvolvida'', revela Couto.
Mas, para o engenheiro químico, nenhum tipo de adoçante será capaz de substituir o açúcar no cafezinho, com sabor idêntico. Couto avalia que o problema é cultural: ''O brasileiro coloca um pouco de café no açúcar, e não o contrário. Desse jeito, não há adoçante que o substitua porque o teor de sólido sempre será maior com o açúcar. É só questão de acostumar-se com o sabor'', defende.

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