Asilos guardam avós
O filósofo alemão Walter Benjamin, em O Narrador, uma de suas obras mais importantes, observa que ao longo do século XX, e agora, já entrando pelo século XXI, a narrativa se perdeu. A figura do narrador, que contava e recriava histórias ficou para trás. Narradores por excelência, os idosos, os velhos avós, que guardam baús de histórias e têm muito para contar, encontram pouca gente disposta a ouvi-los. Os novos não têm tempo para histórias.
Muitos dos idosos de Londrina são tratados como velhos, no sentido pejorativo da palavra. E nossos velhos, quando não estão em casa, relegados em seu canto, incham hoje os asilos. Clandestinos ou não, os asilos trancam os velhos, para privar os novos de uma visão que se renega. Disse um geriatra que os novos negam a velhice. Ninguém quer ficar velho e, para comprovar tal afirmação do geriatra, poucos querem saber como envelhecer bem. Os asilos são tristes. Não há fotos, não há laços ou abraços. Só há velhos, de olhares distantes, onde não se encontra mais a figura do narrador.
Muitas famílias hoje, em Londrina, não querem seus velhos, não porque não os amem. A razão que explica a presença dos velhos em asilos talvez seja a falta de tempo. Os filhos, os netos e mesmo os bisnetos não têm tempo. Os políticos e as autoridades, com a agenda sempre cheia, estão sem tempo, afinal, o mundo é dos jovens. Paradoxalmente, muitos jovens têm soluções lentas.
Enquanto se preparam relatórios, enquanto se estuda o perfil, os velhos esperam. Eles esperam visitas que não vêm e soluções que tardam a chegar. Os velhos, suas histórias, suas memórias e narrativas, sucumbem a olhos vistos. Pode-se dizer, assim, que os jovens estão perdendo seus idosos pela falta de tempo.





