Asilo irregular fica fora do relatório da prefeitura
A reportagem da Folha identificou mais um asilo que ficou de fora do relatório divulgado anteontem pela Prefeitura de Londrina. O objetivo do relatório era mapear todas as casas de repouso irregulares na cidade, mas os técnicos da Vigilância Sanitária (VS) e Secretaria Municipal do Idoso não sabiam da existência de um asilo filantrópico mantido pela Igreja Congregação Cristã do Brasil, no Parque Waldemar Hauer, região leste da cidade. No asilo, que existe há cerca de 15 anos, vivem 14 pessoas, entre idosos e adultos.
O asilo, segundo o diácono Demirso Galdino de Oliveira, atende somente pessoas que são membros da Igreja. Aceitamos somente quem não tem família, mas temos idosos que foram abandonados pelos filhos, disse o diácono. Segundo ele, um médico e uma enfermeira da Igreja visitam os internos uma vez por semana. Oliveira afirmou que todo o abrigo é regulamentado. Estamos dispostos a fazer adequações, se for o caso, reafirmou. Oliveira informou ainda que os membros da Igreja contribuem com doações.
Com vários quartos e banheiros, despensa e refeitório, a casa da Congregação Cristã do Brasil é cuidada por uma casal de caseiros. Ana Alves de Jesus, a caseira do asilo, disse que uma faxineira vai ao local ajudar na limpeza. Eles (os idosos) não dão muito trabalho, contou Ana, que não recebe salário. Moramos aqui sem pagar e contribuímos com o trabalho, explicou.
A aposentada Marcolina Leocádia de Souza, 93 anos, afirmou que o tratamento no asilo é de primeira. Teresa (uma das filhas) me tratava mal. Foi ela que me trouxe para cá, contou. Com uma lucidez surpreendente apesar da idade, Marcolina confessa que sente falta dos filhos, mesmo tendo sido deixada por eles no asilo. Chamo por eles nos meus sonhos. Já consegui muitas graças, só falta ver os meus filhos. Marcolina relatou que tem um filho morando em Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina). Ele é coveiro e se chama Manoel Claro de Oliveira. Queria muito que ele viesse me ver.
A secretária do Idoso, Maria Angela Santini, desconhecia a existência do asilo da Igreja. Se eles têm intenção de continuar oferecendo esse serviço, vamos instruí-los para que o façam com mais qualidade, explicou. Segundo Maria Angela, os 98 idosos que estão em casas passíveis de interdição, estão sendo cadastrados. Estamos levantando o paradeiro das famílias. Calculamos que cerca de 40 pessoas tenham que ser remanejadas. Emergencialmente, teremos que levá-las para os asilos filantrópicos, afirmou Maria Angela.
Segundo o relatório, existem quatro asilos filantrópicos abrigando 214 pessoas. Anteontem, o prefeito Nedson Micheleti (PT) informou que o município não tem recursos para reformar os asilos. Somente no asilo São Vicente de Paulo, onde moram 120 idosos, se fossem eliminadas as barreiras arquitetônicas, mais 20 vagas estariam asseguradas. Ainda conforme o relatório, os técnicos da VS e Secretaria do Idoso visitaram 18 asilos, sendo quatro filantrópicos e 14 particulares, mas a equipe da Folha já encontrou várias pensões, que abrigam muitos idosos em condições precárias.





