O Asilo São Vicente de Paulo, de Londrina, está precisando de ajuda para manter os 120 velhinhos internados. ‘‘Estamos recebendo qualquer tipo de ajuda. Nossa situação não está nada boa, principalmente com a aproximação do inverno’’, diz a coordenadora Karina dos Santos. O mais grave, segundo ela, é que entre os internos há 70 idosos com dependência total e que estão necessitando, urgentemente, de roupas e remédios. O asilo não consegue comprar medicamentos para determinados tratamentos.
Apesar das dificuldades, o local é um recanto de muita vida e particularidades. Lá estão José Ribeiro da silva, 110 anos, Maria Serafina de Carvalho, 102 anos, Hélida da Silva, 102 anos, Henrique Seyfferty, 101 anos, e Sebastiana Lima de Jesus, 100 anos. Eles são os mais idosos entre outros ‘‘jovens’’ que estão na faixa etária entre 70 a 95 anos.
‘‘Na realidade, acho que vivo em um paraíso, pois quem gosta de cuidar de velho?’, questiona o centenário José Ribeiro na plenitude de sua lucidez. Percebe-se que, entre eles, existem apenas a mágoa em relação aos familiares que não visitam e não os ajudam em nada.
‘‘Gostaria que, pelo menos uma vez por ano, minha filha viesse me visitar’’, lamenta uma mãe com 78 anos e há mais de cinco anos sem ver a filha. Ela pediu para não ser identificada porque não quer magoar a filha que mora em Londrina e está muito bem-casada.
O drama maior é de um pioneiro londrinense de 86 anos, que tem 12 filhos e não recebe a visita de nenhum deles. ‘‘A única pessoa que vem aqui é meu sobrinho, que é padre. Ele compensa a falta de meus filhos falando de Deus’’, desabafou. Pelos mesmos motivos ele pediu para que seu nome não fosse revelado.
Entre os mais variados tipos e credos sobressai com sua sabedoria o idoso Álvaro Alvez de Lima, 92 anos. Ele fala cinco línguas e chama a atenção pelas suas posições políticas muito bem definidas. É conhecido como ‘‘o intelectual’’ e disse que não se faz bons políticos como antigamente.
A outra necessidade do asilo é de alimentos, que somente não chegam a faltar por causa das doações eventuais de um grupo. Segundo Karina, paradoxalmente, estas pessoas são as que mais ajudam. No entanto, por serem pobres, nem sempre elas dispõem de dinheiro para comprar alimentos.
Um dos problemas encontrados para a manutenção do asilo é a falta de contribuição dos familiares dos idosos internados. ‘‘Tem casos que filhos chegam a mudar de endereço para fugir da responsabilidade de manter o pai ou a mãe’’, disse Karina. Segundo ela, o ‘‘dinheirinho garantido que entra todo mês’’ é a contribuição de 70% das aposentadorias pagas por 36 velhinhos pensionistas e a partir deste mês, R$ 5,2 mil repassados pela prefeitura. Até o mês passado, a prefeitura repasaava R$ 2,8 mil mensais. Há também as doações fixas, mas que não chegam cobrir as despesas, nunca inferiores a R$ 25 mil por mês.

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