Cinco moradias urbanas construídas na década de 50, para famílias desempregadas da Zona Rural, deram origem ao Asilo São Vicente de Paulo, agora completando o cinquentenário, que terá uma missa de ação de graças realizada hoje, às 19 horas. Aparentemente modesta ante o vulto da obra, a comemoração reflete o espírito de humildade apregoado por aquele que mais estimulou a expansão das Conferências Vicentinas em Londrina, Antônio Faria Netto, personagem central na história do asilo.
''O importante de tudo isso é esse atendimento, resultado de uma parceria fraterna com as missionárias; vimos trabalhando juntos há 50 anos'', resume a diretora do asilo, irmã Luzia Aparecida Reis, associando os vicentinos e as irmãs da Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret (claretianas). Faria Netto, o bispo dom Geraldo Fernandes e madre Leônia Milito, uma trindade hoje em memória, estabeleceram a parceria.
''As irmãs têm o carisma e o melhor direcionamento. Então, a parceria tem tido grande sucesso'', afirma o contabilista Antônio Lopes, vicentino há 42 anos, ex-presidente do Conselho Central relacionado à obra. Erigida pela ação vicentina, mas graças à participação comunitária, de grandes e pequenos doadores, observa-se.
Vila do Grilo
Embora a cafeicultura regional se expandisse, geadas em 1953 e 1955 e até uma seca mais tarde fizeram sobrar trabalhadores, que migraram para a cidade. Frei Nereu do Valle inicia o desfavelamento da Vila do Grilo, recorrendo a empresários e ao prefeito Milton Menezes, que desapropria a área invadida.
Os barracos dão lugar a casas de 42 metros quadrados, surgindo a Vila da Fraternidade, nos primeiros anos 60. O prefeito Hosken de Novaes cria a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), que constrói casas no Três Marcos, destinadas a famílias excedentes da Vila da Fraternidade.
Situa-se nesse panorama, também, a ação vicentina. Conforme informações reunidas por Lopes, a Sociedade de São Vicente de Paulo havia comprado cinco alqueires no Parque Guanabara, em 18 de dezembro de 1956. Antes de terminar a década, numa parcela, os vicentinos construíram cinco casas lado a lado, para ''cinco famílias nordestinas que não tinham onde morar, uma delas embaixo de lona plástica''.
Sob assistência, as famílias que se recuperam cedem lugar a outras. Em meados de 1960, as casas são reformadas e ''juntadas em um único bloco'', denominado Asilo São Vicente de Paulo. Por não ter sido anotado o dia, deliberou-se adotar 27 de setembro de 1960, que é consagrado a São Vicente de Paulo, para aniversário do asilo. As primeiras responsáveis pela administração foram as irmãs Lo Conte, Dulce Mendes e Maria José Pereira.
A construção do prédio atual teve início em 1966, concluindo-se em 1973 o que seria a primeira ala; a segunda ala começou em 7 de abril de 1991 e inaugurada em 1º de dezembro de 1996. Trata-se de ONG sem fins lucrativos, mantida pelas Obras Assistenciais São Vicente de Paulo de Londrina.

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