Asilo budista abriga velhinhos japoneses
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sábado, 23 de agosto de 1997
Marccio W. Varella Maringá 
Marcos NegriniPaz e descansoHora do almoço no asilo, em Maringá, mantido pela Associação Paranaense de Amparo às Pessoas Idosas Wajun-Kai, que tem 2,3 mil sócios: templo, artesanato, cozinha e TV japonesas A religião budista Jodoshu Nippakuji mantém há 21 anos em Maringá o asilo Wajun-Kai, que atende hoje 28 idosos da comunidade japonesa do Paraná. Maringá tem cerca de três mil famílias japonesas.
Apenas dois dos 28 internos têm família. Os outros não se casaram ou não conseguiram renda para viver condignamente e acabaram ficando sozinhos, explica o monge responsável pelo templo budista que fica ao lado do asilo, o paulistano Eduardo Ryoho Sasaki.
Para manter o asilo, os budistas fundaram uma entidade em 1975, a Associação Paranaense de Amparo às Pessoas Idosas Wajun-Kai, mantida por 2,3 mil sócios espalhados pelos estados do Paraná e São Paulo, donativos e subvenções municipais e estaduais.
No ano passado, a Wajun-Kai recebeu crédito de R$ 151 mil. Uma das entidades que mais contribui é a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), que mantém até uma assistente social para cuidar dos idosos.
O terreno da entidade tem 8 mil metros quadrados. Eduardo anuncia que uma nova ala, que terá capacidade para atender mais 40 internos, está sendo construída ao lado do templo.
O ambiente é tipicamente japonês. Logo na entrada há um tradicional sino Kanetsuki, usado apenas para anunciar o Ano Novo. A hora do almoço é anunciada com música. A comida, além de pratos e talheres, é japonesa. A televisão é ligada todos os dias no canal japonês da Direct TV.
Eles só assistem musicais e lutas de sumô. A entidade mantém convênios com clínicas médicas particulares e tem oito funcionários para cuidar dos idosos. Em 96, a Wajun-Kai atendeu 35 idosos - 18 homens e 17 mulheres. A média é de 30 internamentos por ano, o que dá um total de 630 idosos atendidos até hoje.
Nenhum deles gosta de falar de si. Eles não têm amigos, são pessoas excluídas da comunidade, a vida de cada um é um verdadeiro drama, conta Eduardo. Dois terços deles são imigrantes japoneses. Nenhum dos 28 internos fala português.
A dificuldade de comunicação e a comida são os principais entraves dessas pessoas na integração entre as próprias famílias japonesas. É uma geração muito solitária. Por isso cuidamos deles com o maior carinho, explica o monge. Para ficar no asilo, o idoso deve ter mais de 65 anos.
Às 6 horas eles acordam e participam de missa no templo. Depois fazem ginástica e tomam o café da manhã. Depois, fazem ginástica rítmica e ajudam na manutenção da horta e do jardim. Ainda de manhã podem ler, fazer trabalhos manuais, jogar sinuca ou passear pela cidade. O almoço é às 11 horas; o banho, às 16 horas; jantar às 18h30.
Em média, conta a administradora Hitomi Shikamori, eles ficam aqui durante cinco anos, e depois morrem. O asilo fica no bairro Zona 8, próximo ao aeroporto de Maringá.RAIO X
Município: Maringá
Localização: Região Noroeste
População: 267 mil habitantes
Projeto: Asilo exclusivo da comunidade japonesa
Iniciativa: Igreja Budista Jodo-Shu
O que faz: Interna idosos sem famílias
Beneficiados: 630


