Associated Press
O crescimento da população é bastante desigual segundo os continentes. As zonas ricas são estáveis. Ao contrário, as regiões pobres, e muito pobres, fervilham de gente. Iremos assistir a uma radical e trágica redistribuição das populações: em 2050, os países desenvolvidos não terão mais do que um bilhão dos 8.9 bilhões de seres humanos do Planeta, conforme previsão de alguns grupos de demógrafos. Com certeza, a América do Norte progredirá, mas a um ritmo mais lento.
A América Latina também (167 milhões em 1950, 504 milhões em 1998, 809 milhões em 2050). Mas a Ásia, a Oceania e a África (sobretudo a sub-saariana, embora a Aids tenha reduzido a expectativa de vida em sete anos), explodirão. Em 2050, a Ásia contará 5 bilhões. A Índia terá ultrapassado a China (um bilhão e meio). Em contrapartida, a Europa deverá ver sua população encolher.
Perderá 101 milhões de habitantes daqui até 2050. Para garantir a substituição de uma população, a taxa de natalidade deve ser de 2,1 filhos por mulher. Hoje a Europa tem uma taxa de 1,44 filhos, enquanto a África, apesar de uma desaceleração, tem sempre cerca de 6 filhos por mulher (mas um bebê entre cada dez crianças africanas não ultrapassa o primeiro ano de vida).
Quais as conclusões? A primeira é evidente: os países pobres vão ficar ainda mais pobres, enquanto os países ricos, cujas populações são estáveis, reforçarão sua insuportável hegemonia. Contamos hoje com 900 milhões (inclusive 200 milhões de crianças de menos de 5 anos) de pessoas ‘‘subalimentadas’’, todas elas nas zonas prolíficas (sobretudo na África).
Este é o drama de nosso tempo: a queda da natalidade aconteceu nos países ricos, isto é, nas únicas regiões onde esta queda não era nem necessária , nem desejável! A forte natalidade dos países subdesenvolvidos é muito mais perniciosa porque transtorna a estrutura das classes de idade: nos países pobres, os jovens são evidentemente muito numerosos. Ora, os bebês nascendo neste momento na África, que irão fazer no momento de entrar no mercado de trabalho? Imensas turbas de desempregados. Em dez anos, 700 milhões de adolescentes buscarão trabalho. Na maioria das vezes em vão.
Desta forma se apresentará a questão lancinante da emigração. Os jovens flagelados pela miséria tentarão entrar nos países ricos. E os ricos Estados Unidos e a rica Europa terão receio de se contaminar com a miséria de outros continentes. Podemos prever conflitos raciais, ondas violentas de xenofobia, um recurso ao terrorismo.
Felizmente, outro fator virá temperar estas perspectivas sinistras: a Europa produzirá apenas pouquíssimos filhos, será obrigada a recorrer à mão-de-obra dos países menos favorecidos para fazer funcionar suas fábricas. A Europa e a América serão regiões de velhos – o que se chama a ‘‘floridização’’, em referência à Flórida, que conta com 19% de velhos. A Itália atingirá este patamar em 2003, o Japão em 2005, a Alemanha em 2006.

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