A PR-092 corta a cidade de Doutor Ulysses (117 km ao Norte de Curitiba) e é o único acesso para o município de seis mil habitantes, que tem o segundo pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Paraná. Se a situação é crítica para quem enfrenta os buracos no asfalto da rodovia no Norte Pioneiro, para aqueles que precisam se aventurar pelos 60 km que ligam Jaguariaíva a Doutor Ulysses ou os 40 km de Doutor Ulysses até Cerro Azul - ambos de terra -, a situação é ainda pior.
Em um lugar onde a produção de madeira para as indústrias de papel sustenta a economia, nem mesmo a falta de pavimentação impede o tráfego itenso de caminhões carregados com até 40 toneladas de pinus ou eucalipto. As pontes são de madeira e não há qualquer sinalização. Para quem vai até Doutor Ulysses pela primeira vez, chegar sem pedir ajuda é praticamente impossível.
Encontrar caminhões quebrados nessa parte de terra da PR-092 é comum. Neuri Silva ficou ''enroscado'' em uma subida quando o cabo do acelerador do caminhão arrebentou. ''Já aconteceu de eu ter que passar a noite na estrada. Isso aqui está cada vez pior'', reclamou.
Já era noite quando um outro caminhoneiro sofria para deixar o veículo pronto para rodar novamente. Em meio à escuridão, ele teve que fazer uma fogueira para iluminar a troca de um pneu furado. O rapaz permitiu a foto, identificou-se apenas como Carlos e se recusou a conceder entrevista. ''Estou tão bravo que vou falar o que não devo'', justificou-se. (W.S.)

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