Asfalto de estrada recém-inaugurada não suporta tráfego pesado
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quinta-feira, 02 de maio de 2002
Vânia Moreira<BR>Equipe da Folha 
Icaraíma - O asfalto construído no aterro do complexo de pontes sobre o Rio Paraná, em Porto Camargo, na divisa entre o Paraná e Mato Grosso do Sul, não comporta o tráfego pesado de cargas para o qual a rodovia foi projetada. Vários buracos já surgiram ao longo das pistas de rolamento e nos acostamentos desde que a rodovia foi liberada ao tráfego há pouco mais de mês. O trecho foi pavimentado com o chamado tratamento ou asfalto casca de ovo, uma camada de pouco mais de um centímetro de espessura depositada diretamente sobre o solo. Nos acostamentos, a camada não ultrapassa meio centímetro.
O tratamento é o asfalto mais barato que existe e custa entre R$ 3,00 e R$ 4,00 o metro quadrado. O asfalto mais grosso e resistente é calculado em metros cúbicos e gira entre R$ 300,00 a R$ 350,00 o metro cúbico. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Paraná admite que o asfalto não é apropriado para o tráfego pesado e que dentro de um ano ou ano e meio será necessário reforçar a pavimentação, o que poderá ser feito com o dinheiro do pedágio.
O engenheiro responsável pela obra, Roberto Wilibor, afirma que o tratamento já constava no projeto original da ponte, elaborado em 1987, e que é a melhor alternativa para os solos arenosos do Noroeste. A maioria das rodovias intermunicipais e áreas urbanas são pavimentadas com tratamento porque o asfalto sobre pedra britada não se firma nos solos arenosos e o asfalto com solo-cimento é caro demais. Entretanto, são vias que não se destinam ao tráfego pesado.
Segundo Wilibor, o DER aplicou o tratamento no complexo de pontes como opção preliminar, porque não havia certeza se a rodovia se firmaria como rota de cargas. Além disso, de acordo com Wilibor, com o tráfego costumam aparecer defeitos que passam despercebidos durante a construção. Quando fizermos a pavimentação adequada ao tráfego, estas falhas também já estarão corrigidas, argumentou. De acordo com o engenheiro, os buracos que surgiram na pista de rolamento são decorrentes de falhas na compactação que passam despercebidas e são consideradas normais pelo DER. Até agora, tivemos problema em cerca de 200 metros de um total de 160 mil metros quadrados de pavimentação.
Outros fatores que estariam contribuindo para deteriorar a pavimentação recém-inaugurada seriam as altas temperaturas e o excesso de peso das cargas. Naquela região, o asfalto mantém uma temperatura média de 50 graus, fica mole e cede com o peso das carretas, disse Wilibor. Também estariam passando carretas com peso superior ao máximo permitido, 75 toneladas. Segundo Wilibor, a Polícia Rodoviária já interceptou 4 carretas de 9 eixos, os chamados rodotrens que transportam mais de 100 toneladas cada uma e tem tráfego proibido no Paraná porque destroem as rodovias.
Inaugurada dia 14 de março pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Jaime Lerner, a segunda ligação entre o Paraná e o Mato Grosso do Sul, custou R$ 155 milhões, bancados pelos cofres do Estado e foi construída justamente para canalizar o transporte de cargas do Centro-Oeste para o Porto de Paranaguá. Com 3,5 mil metros de pontes e 13 quilômetros de aterro, o complexo corta canais e ilhas do Parque Nacional de Ilha Grande.


