Ascensorista gosta do trabalho

Mauro FrassonPara o ascensorista Reni Ribeiro, passar o dia no elevado r é terapiaEm quase 21 anos de viagens entre o térreo e o 22º andar do Edifício Asa, o ascensorista Reni Antônio Ribeiro, 58 anos, já conheceu muita gente, escutou ‘‘pedaços’’ de fofocas e piadas e assistiu a várias demonstrações de amor.
Para ele, passar seis horas por dia sentado em um cubículo de menos de dois metros quadrados é uma terapia. ‘‘Me sinto bem e gosto muito do meu trabalho. Além disso, como tenho problema de hipertensão, se eu ficar parado me sinto mal. Quando fico dois dias em casa, já sinto falta de voltar ao trabalho’’, conta.
Ex-porteiro de fábrica de papel, ex-metalúrgico e ex-cobrador, Reni Ribeiro optou por trabalhar no elevador em busca de sossego. ‘‘Sempre trabalhei com serviço pesado. Resolvi me tornar ascensorista para maneirar um pouco, e para trabalhar apenas meio expediente’’, diz. Seu turno vai das 13 às 19 horas e ele chega a fazer 150 viagens por dia, transportando cerca de mil passageiros.
Nas horas vagas, trabalha como pintor no próprio Edifício Asa. ‘‘Como conheço muita gente que trabalha aqui, comecei a fazer uns bicos e acabei gostando.’’
Sobre os passageiros, o ‘‘seu’’ Reni (como é conhecido pelos frequentadores do prédio) tem boas e curiosas lembranças. ‘‘Um dia, estava transportando um jovem casal que não se conhecia e, no meio da viagem, arrebentou a fita do elevador (componente que marca os andares). Com o barulho que fez, a moça achou que o elevador ia cair e agarrou o rapaz, achando que ia morrer. Quando eu falei que não havia perigo de queda, ela não sabia onde enfiar a cara’’, conta.
Para Ribeiro, a rotina de subidas e descidas e a falta de paisagem no ambiente de trabalho não chegam a incomodar. ‘‘Sempre tem gente nova e enquanto estou trabalhando posso me distrair ouvindo a conversa dos outros’’, observa.
(G.P.)

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