Marcos NegriniHistória de respeitoSônia e Vivaldo com as filhas Daiane e Daniele. Casal enfrentou o preconceito e estão casados há 18 anos. Filhas já não têm traços orientais tão marcantes.Ela pertence à terceira geração de japonês e ele é baiano. Casaram-se há 18 anos e têm duas filhas adolescentes que, se não fossem os olhos ligeiramente puxados, ninguém imaginaria que são descendentes de orientais. Sônia Maria Toyoshima Lima, 40 anos, é filha de um descendente japonês com uma brasileira. Seus traços já não são tão marcantes como os demais descendentes japoneses. Sônia casou-se com o baiano Vivaldo Souza Lima, 43 anos, e teve as filhas Daiane Toyoshima Lima, 15 anos, e Daniele Toyoshima Lima, 12.
Daine e Daniele contam que, na escola onde estudam, a maioria dos amigos se surpreende quando descobrem o sobrenome delas. ‘‘Eles só descobrem que sou descendente de japonês por causa do sobrenome Toyoshima’’, diz Daine. As duas afirmam ser simpatizantes da cultura japonesa, mas confessam desconhecer totalmente o significado da maioria dos rituais orientais. As duas estudam inglês e não querem nem saber de aprender o japonês. ‘‘É muito difícil’’, esquiva-se Daniele.
Como na maioria dos casos de casais de descendentes de japoneses com brasileiros, Sônia e Vivaldo enfrentaram dificuldades para que os familiares aceitassem a união. O principal opositor do casamento era o pai de Sônia, que hoje considera Vivaldo o genro mais querido da família.
‘‘Ele já tinha um certo preconceito em relação a brasileiro porque ela (Sônia) só tinha namorado descendente de japonês antes de mim. Além disso, acredito que por ser descendente de negros, a discriminação era maior. Apesar de todas as dificuldades, conseguimos convencê-lo do nosso amor e hoje sei que ele me considera muito e tem um profundo respeito pela minha raça’’, diz Vivaldo.
O casal não participa das festividades que incluem as tradições japonesas em Maringá, exceto para apreciar a comida típica que é a favorita de toda família. (L.P.)

mockup