'Às vezes há falhas, sim'
Durante a rebelião no 2º DP, os presos estavam de posse de duas armas de fogo. Uma pertencia ao auxiliar de carceragem, que foi rendido, e a outra, de procedência desconhecida. ''Ainda não se sabe em que circunstâncias ele (auxiliar de carceragem) estava em poder dessa arma e em que circunstâncias, até não recomendada, ele entrou armado em local indevido. Isso será objeto de investigação posterior'', afirma o delegado-chefe da 10 SDP, Márcio Amaro.
De acordo com ele, ''todo procedimento de segurança impede que não só o carcereiro, mas qualquer policial adentre armado em locais onde há pessoas presas, pois assim ele coloca em risco não só a sua integridade, mas também de outros presos e todas as outras pessoas que trabalham na delegacia''.
Amaro não descarta que a arma possa ter entrado por falhas do sistema ou até mesmo, através de pagamento de propina. ''Às vezes há falhas, sim, pois é uma estrutura muito precária'', afirma.
O padre Edivan Pedro dos Santos, da Pastoral Carcerária, explica que em fevereiro foi encaminhado um protocolo à VEP e à Promotoria de Defesa da Saúde pedindo que medidas fossem tomadas no 2º DP. ''Nós afirmamos que se nada fosse feito, a situação iria acabar colocando em risco a vida dos presos e dos próprios carcereiros. E foi justamente o que ocorreu hoje'', afirmou. Segundo ele, é preciso assumir políticas públicas sérias de tratamento penal.
A mesma observação é feita por Amilton Laertes de Araújo, advogado e presidente do Conselho da Comunidade, órgão do Poder Judiciário. Ele, que acompanhou toda a negociação, cita que os presos estão em situação sub-humana.
Segundo Amaro, a polícia fica à mercê da situação. ''Eles reclamam pela situação sub-humana que estão enfrentando, mas não temos muito o que fazer. Diariamente, o delegado Cássio Wzorek solicita mais vagas ao sistema, mas elas não são abertas em decorrência da própria irregularidade do sistema'', afirma.





