Às vésperas de 2006, a tradição do moti
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sábado, 31 de dezembro de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
O moti não é simplesmente um bolinho japonês feito à base de arroz, que, por si só, quando cru e isolado, simboliza uma pessoa. Se o moti é feito da massa do arroz, então ele simboliza a união de um povo que, fugindo da guerra ou em busca da bonança, veio parar no Brasil e aqui luta para manter as tradições. Para isso, a comunidade japonesa produziu ontem, pela 50 vez, na sede campestre da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel), 500 quilos da iguaria, em um ritual que reúne, além de 60 voluntários, a esperança na saúde, sorte e prosperidade para o ano seguinte.
A tradição de se fazer o bolinho em Londrina nasceu junto com a Acel, em 1955. Desde então, voluntários da associação se juntam para cozinhar o arroz, moê-lo, socá-lo em um pilão e enrolá-lo em bolinhos, vendidos este ano a R$ 10 o quilo. ''Desta vez, estamos usando 350 quilos de arroz, que vão resultar em meia tonelada de moti'', conta o presidente da Acel, Issamu Suzuki.
A produção de 2005, segundo ele, já foi toda vendida. Ontem os voluntários somente terminaram o trabalho e entregavam as bandejas já fechadas para quem havia feito encomendas. ''Foram mais de 2,5 mil unidades vendidas'', comemora o presidente.
Reza a tradição que degustar o moti no primeiro dia do ano rende sorte. ''Por este motivo, nós também nos reunimos aqui na Acel para uma celebração em homenagem ao novo ano. Rezamos, cantamos os hinos japonês e brasileiro, e depois comemos uma sopa - o ozoni -feita com moti'', descreveu Suzuki. ''Mas também pode-se comê-lo assado, com shoyu, ou no meio de outros pratos'', sugere.
Para gozar desta mesma sorte, pessoas chegam, pagam os R$ 10, pegam a bandeja e vão embora. Perdem a chance de assistir a um ritual que é, ao mesmo tempo, bem humorado e tradicional na comunidade: a produção do bolinho. ''Faço moti desde que nasci. E ajudo aqui na Acel desde que ela nasceu. Quer ajudar também?'', convida Katuki Horikawa, de 65 anos. ''Venho para ajudar a manter a tradição. Temos que continuar transmitindo isso. Esse é o maior objetivo''.


