As previsões que influenciam o dia-a-dia
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terça-feira, 18 de setembro de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Os promotores de eventos, agricultores, profissionais da moda, da construção civil, da área de turismo - só para citar alguns - têm algo em comum: o uso da meteorologia para programar suas atividades. Até uns anos atrás, porém, consultar um site de previsões climáticas ou prestar atenção no que a moça do tempo falava na TV não era garantia de que tudo estava sob controle. Baseados em estudos manuais e interpretações subjetivas, os meteorologistas trabalhavam com um índice de acerto que ficava em torno de 70%. Hoje este índice chega a 95%, tornando a consulta à seção de meteorologia de sites e jornais quase uma obrigação.
''20 anos atrás não tínhamos todos os recursos que temos hoje, era tudo manual, uma loucura. Fazíamos o traçado das cartas náuticas a partir dos dados que as estações meteorológicas nos forneciam. Hoje trabalhamos basicamente com internet, somos abastecidos de informações o tempo todo, e as imagens de satélites são muito mais precisas'', explica a meteorologista Angela Beatriz Costa, do Instituto Tecnológico Simepar. Angela trabalha dentro do Instituto Agronômico no Paraná (Iapar), em Londrina, e é responsável por boletins e estudos com as tendências meteorológicas - como os alertas de geadas - que ajudam os produtores rurais a tomar decisões.
O trabalho que ela e seus colegas de profissão realizam não é tão simples como parece. Para dar cunho científico àquilo que nossos avôs presumiam ao olhar para o céu, os meteorologistas se debruçam em cálculos. ''Poucos conseguem concluir o curso de graduação em meteorologia porque a base é toda na matemática e na física'', informa Angela, que se formou no Rio Grande Sul, Estado que abriga dois dos sete cursos de graduação oferecidos no País. As previsões climáticas a longo prazo, por exemplo, são feitas a partir de modelos matemáticos que têm como uma das variáveis a temperatura da superfície do mar.
Para exemplificar, a meteorologista lembra que o efeito do La NiÀa sobre o Oceano Pacífico faz prever que o próximo verão tem maiores chances de ser seco. E para quem está ansioso pelo fim da estiagem que a região vem enfrentando, ela diz que os modelos estão mostrando que a chuva, se ocorrer, será apenas no final do mês.
As informações sobre o tempo - tão preciosas para quem precisa se programar e tão presentes nas rodas de conversa - são fornecidas a partir de dados que vêm de dezenas de estações automáticas e de superfície (mecânicas), de satélite, de radares e de detectores de raios. No caso do Simepar, todas as informações vão o Centro Operacional, sediado em Curitiba. De acordo com Angela, os esforços hoje são no sentido de previsões a longo prazo. Ela lembra que entre os últimos avanços na área no País está um equipamento adquirido pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE) que tornou possível prever as ocorrências climáticas localizadas, durante os Jogos Pan-Americanos.


