'As pessoas querem o mínimo de conforto'
O professor Cesar Imai, do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), lembra que a fórmula matemática de construção - quanto menor o tamanho das habitações, mais unidades se consegue produzir - vem sendo adotada no País desde a década de 1960, com a criação do BNH e da produção em massa. A estratégia foi adotada pelas construtoras em geral, criando-se a cultura da quantificação (o que dá status é o número de cômodos), e não da dimensão (onde a qualidade de vida oferecida pelos espaços mais amplos é levado em consideração). O resultado, segundo ele, é desastroso. ''Faz com que as pessoas vivam de maneira muito precária.''
Estudos feitos por Imai para a dissertação de mestrado e tese de doutorado mostram que quando as pessoas constroem por conta própria e de acordo com o seu desejo (habitações autoconstruídas), a média de dimensão dos cômodos é bem maior que aquela oferecida pelo poder público. ''E o que essas pessoas buscam não é nada fora da realidade. É o mínimo de conforto, são anseios baseados na expectativa de vida, em vivências, que são subdimensionadas nos projetos de moradia popular'', atesta.
Para o arquiteto, casa é mais que um abrigo. ''Casa é sonho, algo que não pode se pautar só pela racionalidade.'' Imai lembra que quando os moradores conseguem imprimir sua personalidade na residência, aumenta muito o nível de satisfação com a moradia. Daí a maior possibilidade de depredação e maior insatisfação vistas nos conjuntos residenciais verticais. ''A satisfação faz com que a pessoa se sinta dona, e daí ela vai cuidar. As pessoas precisam se apropriar do local onde moram, senão vira terra de ninguém'', defende Imai. (S. L.)





