Com a finalidade essencial de proporcionar assistência dermatológica, principalmente aos hansenianos, a Associação Filantrópica Humanitas, em São Jerônimo da Serra, é agente também de outras iniciativas de cunho social. Uma delas envolve 30 máquinas de costura modernas e acessórios. A intenção do padre Haruo Sassaki, diretor da Humanitas, é consolidar a Cooperativa de Produção e Serviços ''Margarida Alves'' (Cotrama), ocupando um salão cedido pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) no perímetro urbano.
Mas a cooperativa ainda não cresceu, tem apenas 12 costureiras. São necessárias, pelo menos, 20. Com este número, segundo padre Sassaki, indústrias de roupas em Londrina e Maringá se prontificam a oferecer serviço, remetendo as peças cortadas para serem confeccionadas. O entrave é um pensamento fixo das pessoas convidadas a entrar na cooperativa: ''Quanto vou ganhar?'' É a primeira pergunta que fazem, lembra padre Sassaki. Sendo impossível determinar previamente a remuneração, desistem.
Por trás dessa atitude estão os programas sociais do governo, levando muita gente a ''viver o dia-a-dia sem pensar nas possibilidades para o futuro'', conclui padre Sassaki. Conta, também, que andaram dizendo na cidade que a sua intenção era explorar trabalhadores quando ofereceu as máquinas.
No entanto, a perspectiva da cooperativa é animadora, a realização depende apenas de vontade, segundo o diretor administrativo-econômico da Humanitas, Helton Borges da Silva. Um indicativo está ali mesmo, numa sala contígua ao salão da Cotrama, em que quatro mulheres confeccionam duas mil máscaras semifacial por dia, trabalho manual delicado de unir peças, e recebem R$ 250 mensais cada. Elas trabalham para a Filtrax, de Curitiba, que lhes envia os componentes. São máscaras antialérgicas e atóxicas, um dos modelos exportado para a Argentina.
''A remuneração já foi melhor'', segundo Gilda Valim de Souza Cereja. O pagamento por unidade de um tipo de máscara baixou de 10 para oito centavos e de outro tipo, de quatro para três centavos, segundo a indústria por causa da desvalorização do dólar ante o real, explicou Gilda. A sala também é cedida pelo MST e as mulheres pagam apenas as contas de luz e água. (W.S.)

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