Com elevado teor de proteína, fonte de ácidos graxos essenciais e rica em isoflavonas, a soja hoje é sinônimo de saúde. Seus benefícios estão despertando interesse de pesquisas científicas que se propõem a comprovar a eficácia da soja na prevenção e tratamento de diversas doenças. Em Londrina, pelo menos duas estão acontecendo, na área de reposição hormonal e redução de colesterol, sem contar outros estudos que já comprovaram sua eficácia no tratamento da acne, e uma que deverá estudar a influência da soja na redução dos efeitos da quimioterapia.
Qual mulher não gostaria de amenizar os sintomas da menopausa trocando os remédios por uma simples dieta alimentar? Depois que o resultado de pesquisas feitas nos Estados Unidos mostraram que a reposição hormonal pode aumentar as chances de câncer de mama, os remédios viraram alvos suspeitos.
O objetivo da tese de doutorado do ginecologista e mastologista Paulo Moreira, de Londrina, é justamente descobrir se a isoflavona presente na soja pode diminuir os sintomas desagradáveis da menopausa, como ondas de calor, insônia e palpitação, e ao mesmo tempo não ''mascarar'' o aparecimento de nódulos na mama, por causa do aumento da densidade mamária que acontece na reposição hormonal. Ele também espera encontrar na soja a solução para um problema que afeta a vida sexual das mulheres no climatério, a secura vaginal (leia mais sobre a pesquisa nesta página).
Os benefícios do grão foram descobertos com as asiáticas, que têm a soja como base da alimentação e não apresentam, como as ocidentais, uma série de patologias, como o câncer de mama. Mas Paulo Moreira adverte: comer soja demais também não é saudável. O ácido fídico encontrado na forma natural da soja, sem a fermentação do grão, pode ''jogar fora'' o cálcio do organismo. Equilíbrio que, entre os asiáticos, foi conseguido com uma grande ingestão de peixes, fonte de cálcio.
Estudiosa dos benefícios terapêuticos da soja há 25 anos, a farmacêutica-bioquímica Elisabeth Zanini, também de Londrina, elegeu a farinha de soja para suas pesquisas. ''A farinha é mais aceitável para as pessoas comerem todo dia, pois o produto pode ser acrescentado a sucos, vitaminas, feijão, saladas ou qualquer outro prato'', disse.
Há 3 anos ela usou o produto para pesquisar a influência da soja no combate ao mau colesterol e o resultado foi redução do nível de colesterol em todos os 90 pacientes. Hoje, ela está fornecendo a farinha de soja, em doses de 50 gramas, para uma outra pesquisa também sobre redução de colesterol que está sendo desenvolvida no Hospital Universitário (HU) de Londrina. A pesquisadora também passou a fornecer o produto para a creche Rei Davi, em Cambé, e ensinou as cozinheiras a utilizar a farinha de soja no preparo de bolos, pães, tortas e bolachas. A coordenadora pedagógica da creche, Cláudia da Silveira, disse que as crianças adoram esses alimentos e espera melhoria na qualidade de vida delas.
Além do mercado da alimentação, a soja está virando a nova queridinha também do mercado de estética. Embora estudos científicos sobre a eficácia da leguminosa na pele ainda sejam insuficientes, dois cremes feitos à base de soja já estão sendo comercializados. Os produtos prometem regular a espessura da derme e sua sustenção, além de devolver a elasticidade e o brilho da pele. (Com Agência Estado)

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