A data: 15 de maio de 2001, terça-feira. O fato: mulheres de policiais militares acampam de madrugada em frente ao 5º Batalhão de Polícia Militar de Londrina. A causa: correção salarial dos PMs que não é feita desde 96. As personagens: Maria, Conceição, Rosilda, Regiane, Elair, Edilene, Sônia, Márcia, Vera Lúcia, Aparecida, Cristina, Regiane, Rebeca, Durvalina e outras 200 e tantas. Características: baixas, medianas, altas, negras, brancas, morenas, ruivas, magras, gordas.
O clima: madrugada, frio, chuva. O cenário: terra vermelha, barracas, cartazes, faixas. As frases: ‘‘Não queremos aumento e sim justiça.’’ Os coadjuvantes: filhos, netos, mamadeiras, chupetas, giz de cera, lápis de cor.
A praticidade: pratos, guardanapos, garrafas, café quente, leite, chá, cobertor, guarda-chuva. A organização: baldes, sabão, varais e fardas lavadas às margens da rodovia. O inseparável: papel, caneta, batom, absorvente, escova de cabelo. A força: unhas, dentes, tranças, mãos, pernas, pés, braços, ventres, peitos, lábios, vozes, lágrimas.
A fraqueza: não consta. O medo: embrulhado, guardado. A coragem: ninguém entra e ninguém sai. O gesto registrado: fardado, um soldado tampa os olhos com a aba do quepe e avança em direção às mulheres. O inesperado: o policial une-se a elas e chama os companheiros. O gesto implícito: os PMs se ajoelhariam ante aquelas mulheres. O canto: o Hino. A prece: universal. A realidade dos gabinetes: a burocracia, a intransigência. A realidade das ruas: a violência, a insegurança. A imagem: mesmo depois que as mulheres forem embora ficará para sempre a presença delas em frente ao portão. O reconhecimento: do jornalista Rodrigo Parra, de uma emissora de televisão local – ‘‘Nós (homens) devemos tudo a vocês (mulheres).’’ O desfecho: nas mãos de um ou dois. A vida: continua nelas.

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