Instituições governamentais defendem que dificilmente alguma prostituta pode argumentar falta de informação. O chefe da divisão de controle do Programa DST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde, Francisco Carlos dos Santos, concorda que elas se submetem a essa situação não por falta de orientação ou insumos. ''Já tínhamos conhecimento dessa prática, mas não temos como lidar com isso. A política está feita e muito bem feita. Trabalhamos com as ONGs que atuam com elas desde 1998, mas a decisão vai da consciência de cada um'', avalia.
No entanto, Santos defende que a questão deve ser observada com todo cuidado. Mesmo sem poder relacionar diretamente a contaminação pelo vírus HIV (transmissor da Aids) à infidelidade conjugal, é fato que uma das populações em que mais cresce o número de infectados é entre mulheres casadas. Sendo que a maioria se declara monogâmica.
Também aumenta o número de infectadas entre adolescentes de 13 a 19 anos, justamente o período em que as jovens experimentam a primeira relação sexual. Na outra ponta, idosos já representam 8% do total de casos de Aids. Apesar de a doença ter se espalhado por outras populações, a saúde pública ainda reconhece como grupo de vulnerabilidade acrescida os profissionais do sexo e os usuários de drogas.
A coordenadora do programa DST/Aids em Curitiba, Mariana Thomaz, conta que, no trabalho nas ruas com a ONG Liberdade, ouviu relatos das profissionais de que receberiam muitas propostas de clientes que tentam pagar mais para não usar o preservativo. ''Algumas admitem que aceitam. As mais esclarecidas dizem não aceitar'', afirma.
E, sem dados oficiais sobre a contaminação do vírus HIV nessa população, fica a palavra da presidente da ONG, Carmem Costa, sobre outras doenças que são, por vezes, esquecidas na ''aventura'' de praticar sexo sem preservativo. ''Fizemos a testagem (com as prostitutas) e deu muitos casos de sífilis. Temos hepatite B, gonorreia, cancro mole, crista de galo, condiloma acuminado. Existem várias doenças que têm voltado hoje, mesmo sem a Aids. Mas que, provavelmente, se não tratadas, vão ser a porta da entrada''. (D.R., M.R.M. e O.G.)

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