Alexandre Sanches
O Papai Noel já chegou a Londrina e o comércio já está atendendo à noite. Mas os enfeites de Natal dos anos anteriores ainda não deram o ar da graça na cidade. Talvez provocada por questões financeiras – talvez até pelas altas contas da energia elétrica – são poucas as residências e os prédios comerciais que se arriscaram até agora a enfeitar suas fachadas. Há quem afirme que faltou incentivo de órgãos públicos e entidades ligadas principalmente ao comércio. É uma pergunta que fica enroscada na garganta do cidadão comum. Por que a iluminação está tão tímida? Seria o espírito de Natal perdendo suas forças, enfraquecendo diante da evolução dos tempos? Tomara que não.
Eu me lembro, quando criança, nas décadas de 70 e início dos anos 80, que Londrina sempre se enfeitou, de maneira simples, mas que agradava muito.
As ruas da cidade ganhavam luzes coloridas – muitas vezes lâmpadas que recebiam uma camada de tinta azul, verde, amarela e vermelha por cima – e as pessoas as percorriam.
Nos postes, existiam painéis coloridos e iluminados lembrando a todos que o Natal estava chegando. A figura do bom velhinho não somente aparecia ao vivo, interpretado por alguém desempregado que por sorte encontrava uma ocupação temporária, mas também em cartazes atrás dos vidros das vitrines. E eram velhinhos gordinhos e barrigudos.
Aliás, a chegada do Papai Noel oficial da cidade, naquela época patrocinada pelas Lojas Hermes Macedo, que hoje inexiste, também causava muita emoção. A criançada se aglomerava para ver o bom velhinho chegar à cidade.
Um corredor era formado na Avenida Paraná (quando ainda o Calçadão chegava somente até a Rua Professor João Cândido) e início da Quintino Bocaiúva, onde acontecia o desfile.
Em frente à loja da Hermes Macedo da Quintino Bocaiúva, um grande portal era a marca registrada do Natal londrinense.
As pessoas aguardavam com certa ansiedade para saber qual seria o tema do enfeite daquele ano.
Eu tive o privilégio de meus pais sempre passearem comigo e meus irmãos pelos locais enfeitados. A magia natalina sempre fez parte da minha infância e de outras pessoas.
Um dos detaques era um presépio gigante (para a minha percepção de criança deveria ser enorme) montado no ‘‘Clube Alemão’’ (Arel), de frente para o Lago Igapó.
À noite, as árvores iluminadas e o presépio chamavam a atenção de todos que passavam pelo local. As pessoas desfilavam de carro pelo local para apreciar o espetáculo.
Quanto aos velhinhos, aqueles do meu tempo de infância merecem mais uma referência. Distribuiam balas e pirulitos e ouviam atentos os pedidos das crianças e até recebiam cartinhas. Não que isso já não aconteça. Pelo contrário, a minha nostalgia é que talvez me faça comparar o passado e o presente, trazendo uma conclusão que pode estar equivocada.
Junto com os enfeites do Natal moderno, se é assim que podemos chamar a festa natalina desse atual tempo, vemos entidades – e até mesmo pessoas em particular – fazendo campanhas para arrecadar brinquedos que serão doados para as crianças carentes. Isso era raro antigamente.
Hoje, os enfeites melhoraram muito, foram aperfeiçoados e encantam mais que antigamente. Porém, as poucas luzes de Natal que enfeitam a cidade não podem tirar o brilho desta festa. E, principalmente, não podem matar o encantamento e a fantasia das crianças com o Natal.

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