As lições revolucionárias de José Martí
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de outubro de 1998
Dimitri do Valle 
O revolucionário José Martí tombou em solo cubano para tirar seu país do domínio espanhol. E até hoje suas idéias sobre educação escolar deste personagem latino-americano do final do século passado são fundamentais em Cuba. A professora Maria Dolores Ortiz, da Universidade de Havana, esteve em Curitiba na semana passada para contar a biografia de Martí, um misto de poeta, guerrilheiro, escritor, jornalista e, acima de tudo, professor.
José Martí morreu em 1895, aos 42 anos, pouco mais de meio século antes da Declaração Universal dos Direitos Humanos. No entanto, já defendia que as mulheres tivessem acesso aos livros, o que era proibido pela coroa espanhola. Ele acreditava também que o ensino deveria ultrapassar as mansões da aristocracia da época e atingir as camadas populares da sociedade.
Albari RosaMartí foi um dos homens mais importantes de Cuba, tanto no aspecto político como cultural, afirma a professora Maria Dolores, assessora do Ministério da Educação Superior de Cuba e uma das participantes da campanha nacional que erradicou o analfabetismo no país entre 1961 e 1962. Ela conta que José Martí veio de família pobre e por causa de sua inteligência aguçada conseguiu estudar sob a tutela dos melhores intelectuais cubanos.
As atividades revolucionárias, por meio da publicação de manifestos contra o domínio espanhol, resultaram em sua prisão. Deportado para a Espanha, conseguiu sair da cadeia e terminar os estudos na universidade de Zaragoza. Lá publicou um artigo sob o título O presídio político de Cuba, no qual relatava as torturas e precariedades das cadeias onde os presos políticos eram encarcerados. Foi proibido de regressar a Cuba e morou no México, Guatemala e Venezuela, onde se notabilizou pelas reformas educacionais que defendia.
Por causa de seu destaque intelectual, Martí foi cônsul do Paraguai e do Uruguai no Estados Unidos. Ao regressar a Cuba, fundou o Partido Revolucionário Cubano, em 1892, para declarar guerra aos espanhóis.
As pregações de José Martí provocariam inveja em muitos políticos de hoje. Defendia que os professores se desgarrassem da sala de aula e fossem até os alunos, principalmente as pessoas hospitaliazadas que não tinham como estudar. Eram os chamados maestros intinerantes. Ele defendia a educação como fator de desenvolvimento do país. Modelos escolares de outras nações não deveriam ser copiados para evitar que a identidade cultural do povo local fosse distorcida.
Uma das mais populares obras de José Martí são os versos da música Guantamanera. No Brasil, os ideais do revolucionário cubano foram introduzidos na década de 70 deste século. Surgiam as conhecidas escolas técnicas. No século 19, segundo a professora Maria Dolores, Martí entendia que uma instituição de ensino deveria ser uma escola oficina com a missão de preparar o homem para a vida.


