'As ideias vão surgindo, tem que usar a imaginação'
Curitiba- Costureira desde os 15 anos de idade, Maria (nome fictício) teve seu primeiro contato com a alta-costura aos 62, na Penitenciária Feminina do Paraná. Desde que foi encaminhada à penitenciária, há três anos, ela não deixou as agulhas de lado, ao trabalhar no setor de costura.
Para ela, a diferença entre a costura industrial e a alta-costura é ''como a água e o vinho'', pois envolve toda a maneira de manusear e trabalhar com os tecidos, o que deve ser feito com cuidado. Feliz com a participação no curso, Maria confessa que não imaginava ter um dia esta oportunidade. ''Sempre admirei a alta-costura, mas nunca imaginei trabalhar com isso. Dificilmente encontraria este curso em outro lugar'', conta.
Orgulhosa, a costureira mostra suas produções que, mesmo inacabadas, chamam a atenção dos professores modelistas e colegas de curso. Ela conta que o que a envolve na alta-costura é o processo de produção. ''As ideias vão surgindo, tem que usar a imaginação'', explica. Para o professor modelista Edson Ivam Kraus, o resultado do trabalho de Maria foi surpreendente. ''Não imaginava um resultado tão bom em tão pouco tempo. É muito gratificante'', diz.
Aos 24 anos, Manoela começou a costurar depois de chegar à penitenciária. A partir do curso encontrou uma opção para sua vida quando voltar à sua cidade, no estado de São Paulo. ''A alta-costura tem mais beleza, mais arte'', afirma.
Ressocialização
A diretora da penitenciária, Valderez Camargo da Silva, acredita que o curso está cumprindo seu papel de ressocializador durante o cumprimento das penas das detentas. Para ela, as participantes do projeto terão grandes oportunidades quando voltarem à sociedade. ''O curso é especial porque a gente vê o crescimento da presa. Assim, ela vai mostrar que é capaz, que cumpriu a sua pena e que tem valor'', diz.
''É a construção de uma nova identidade, uma oportunidade de transformar as coisas. Elas estão habilitadas para procurarem um outro caminho e fazerem uma outra história de vida'', complementa a representante do Provopar, Vera Lúcia Silan Santos. (C.G.B.)





