Toledo - As ruas de Toledo, no Oeste do estado, têm histórias para contar. Após um ano de estudos, entrevistas e muita investigação, três pesquisadores descobriram que 50% das ruas da cidade se referem a nomes de pessoas que fizeram parte da história do município. A outra metade traz nomes de outras cidades, países, plantas, militares, lideranças religiosas, políticos, poetas, artistas, entre outros.
Os dados coletados na pesquisa e a identificação das pessoas que denominam as ruas estão registrados no livro ''Ruas de Toledo, identidades que se cruzam'', produzido em parceria entre Secretaria de Cultura, Museu Histórico Willy Barth e Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). O coordenador do mestrado em Ciências Sociais da Unioeste e doutor em Sociologia, Silvio Antonio Colognese, é o organizador do livro. Ele disse que o principal objetivo da obra é resgatar detalhes da história que estava se perdendo.
''A denominação das ruas é parte da história da cidade e da região e a maioria das pessoas não sabia mais quem foram aqueles que deram nome às vias e ao patrimônio público'', disse Colognese, acrescentando que esta é uma forma de resgatar a cultura da região. ''Quando retratamos a história, estamos fazendo uma caracterização das famílias e da população que para cá veio''.
De acordo com Colognese, denominar lugares é uma forma de representar a realidade em que se vive. ''Com a pesquisa conseguimos identificar e descobrir as trajetórias que foram importantes para o desevolvimento da região e estavam escondidos nas famílias destes personagens'', destacou
Nunes i Gibarja
Como exemplo das curiosidades encontradas nas mais de duas mil entrevistas realizadas durante o processo de pesquisa, Colognese contou a história de uma das principais vias da cidade. ''A Avenida Maripá, no Centro, foi a primeira rua aberta em Toledo e foi construída exatamente em cima da picada 'Nunes i Gibarja' que existia desde 1900, antes mesmo da colonização da região'', explicou. ''Ela era usada por empresários de Buenos Aires para exploração de madeira e erva-mate nas matas próximas'', acrescentou. Conforme o pesquisador, a Indústria Madeireira e Colonizadora do Rio Paraná - Maripá era o nome da empresa responsável pela colonização naquelas imediações.
A Rua Valério Lambaré, na Zona Leste, também tem uma história que impressiona. ''Este sujeito trabalhava no Porto Britânia e, quando as empresas inglesas foram embora, ele permaneceu sozinho por 22 anos cuidando do porto, até a chegada do pessoal da Maripá. Valério Lambaré entregou as terras para a Maripá e hoje é nome de uma importante rua de Toledo'', ensinou o professor.
O município não conta com ''bairros temáticos'', mas chamou atenção do pesquisador o fato de as ruas nas imediações do Cemitério Cristo Rei, no centro, terem nomes de flores. ''A tradição nos diz que levar flores aos túmulos é uma forma de demonstrar carinho. É como se toda cidade fizesse isso ao dar nomes de flores nas ruas próximas ao cemitério'', explicou.

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