As histórias da ''Pedra'' de Londrina
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Na década de 1970, na Avenida Higienópolis, próximo de onde hoje está a caixa de água da Sanepar, antes de as revendedoras de automóveis se espalharem Londrina afora, um pessoal que tinha como maior vocação vender e comprar carros, ou fazer ''rolo'' como se diz na gíria, fundou a ''Pedra de Londrina.''
Em mais de 30 anos, este verdadeiro mercado popular de carros mudou algumas vezes de endereço, passando por onde hoje é o Bosque Central e chegando, em 1991, ao endereço atual, na esquina da Rua Professor João Cândido com a Avenida Leste-Oeste, ao lado do Terminal Urbano. Além de receber com justiça o adjetivo de tradicional, a ''Pedra'' emprega atualmente pelo menos 80 corretores e vende em torno de 250 carros por mês.
Trata-se também de uma boa opção para quem está com pouco dinheiro no bolso mas cansou de andar a pé. Com apenas R$ 1,5 mil é possível sair de lá dirigindo um automóvel que está longe de ser um lançamento - fabricado em 1981 -, mas ''não deixa o motorista na mão'', conforme garantem os corretores, que hoje estão organizados por meio da Associação dos Corretores de Automóveis de Londrina (Acal).
Na era da tecnologia digital, falar da ''Pedra'' sem citar a palavra nostalgia é difícil. As carteirinhas dos corretores e outros documentos do dia-a-dia são redigidos em uma velha e boa máquina de escrever e um carteado de truco rola todas as tardes. ''É a forma que a turma encontrou para passar as horas de pouco movimento'', explica o presidente da Acal, Odilon Marinho do Nascimento, 57 anos.
Há oito anos na ''Pedra'', Nascimento conta que passou 30 anos trabalhando como motorista de caminhão. Porém, um problema cardíaco o fez abandonar a boléia e começar a negociar carros. Ele gostou do ramo e também se tornou corretor. Hoje, agradece aos amigos que fez por lá a recuperação da alegria depois de enfrentar a doença.
O presidente explica que a maioria dos carros negociados no lugar está na faixa de R$ 6 mil a R$ 7 mil. No entanto, alguns saem mais em conta. ''Hoje vendi um Monza, ano 1983, por R$ 2,6 mil'', relata. Outro corretor se apressa em dizer que acabara de vender um Fiat 147, ano 1981, por R$ 1,5 mil. ''É importante destacar o lado social do nosso trabalho. A minha história é parecida com muitas outras de pessoas que aqui trabalham. Não fosse o serviço de corretor, eu não sei o que faria da vida'', completa Nascimento.
Há 25 anos trabalhando na Pedra, Celino Calori, 56, criou cinco filhos exercendo a profissão de corretor de automóveis. Exerceu outras profissões, como fotógrafo, mas encontrou no ramo de veículos usados a melhor forma de ganhar dinheiro. Garante que já negociou mais de dois mil carros. E qual é o segredo de um bom corretor? ''É falar a verdade'', responde.
Aliás, para ser corretor é preciso provar ser boa gente. Só depois de 30 dias de convivência com o pessoal é que um novato ganha a carteira da Acal. ''Aqui não pode ter negócio errado. É o nosso nome que está em jogo'', reitera o presidente da Associação.
Na ''Pedra'', o corretor faz o ''meio-campo'' entre quem vende e quem está interessado em comprar um carro. A comissão é negociada de acordo com o valor do veículo e é paga por quem vende. ''Dá para ganhar até R$ 500 por uma venda'', revela José Ramos da Fonseca, o Chacrinha, um dos mais populares do lugar e outro a destacar a importância da credibilidade para quem está no ramo da corretagem de carros. ''Tenho fregueses que vêm de outras cidades me procurar para comprar automóveis.''
Se para os corretores a ''Pedra'' é sinônimo de renda, para quem precisa vender um veículo significa comodidade. Foi assim com Luiz Carlos Modesto, 57. Precisando vender seu utilitário Fiorino e com um problema de falta de tempo para procurar um bom negócio, ele optou pela tradição. ''Levei o carro lá e deixei para venderem para mim. Fizeram o negócio rapidamente e o valor compensou.''


