Curitiba Introduzir cartões de crédito e débito pode descaracterizar as feiras livres? Segundo o diretor da Secretaria de Abastecimento, Luiz Gusi, a modernização não afeta o comércio típico desses locais e se trata de uma busca pela conveniência de compra para os clientes. ''As feiras possuem um atendimento personalizado. O feirante chama o cliente pelo nome e existe uma relação de fidelidade. A tecnologia vai chegar só na questão da transação e segurança alimentar. As feiras não vão perder seu charme por estarem reagindo a tecnologia dos varejos'', defendeu.
''Na feira o nosso dinheirinho estica. Compro aqui há mais de 30 anos nessa banca e sou amiga da dona. Já passei por dificuldades e ela já até me vendeu fiado. Isso eu só encontro aqui'', ressaltou a dona-de-casa Ana Nosima, 58 anos. Existem 62 pontos de feiras em Curitiba, que se dividem entre feiras livres, noturnas, gastronômicas e orgânicas, com sistema de rodízio de localização, de terça a domingo.
O feirante Sérgio Koga, de 43 anos, lembra que fazer pagamentos com cartões de créditos já é uma tendência em feiras livres de outros estados e que vai estimular as vendas. ''Eu já tinha visto em São Paulo, no começo do ano e achei ótima a idéia. E com o sistema GPS não precisa de telefone para operar a máquina'', destacou ele.
O comerciante já é a terceira geração da família que trabalha com a venda de pescado e acredita que os cartões podem substituir os cheques, que muitas vezes significam um risco. ''Meu avô começou o negócio em 1968. E vejo que agora é hora de inovar mesmo. O cartão é a moeda mais usada hoje e o cliente sempre tende a gastar um pouco mais fazendo o pagamento dessa forma'', disse Sérgio Koga, informando que as empresas de cartão de crédito cobram R$ 84,00 por mês pelo uso do serviço e mais 1% em cima das compras com cartões de crédito e 2% das compras feitas com os de débito. (F.G.)

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