Enfarte, derrame, doenças mentais e câncer, principalmente o de pulmão, são doenças que costumam atacar mais os homens do que as mulheres. Além disso, eles também sofrem mais com colesterol alto e pressão alta. Por isso, os homens precisam de atenção especial na hora de cuidar da saúde.
O Ministério da Saúde recomenda que a partir dos 20 anos os homens comecem a medir periodicamente a glicose para verificar o nível de açúcar no sangue, e assim evitar o diabetes. Exames de pressão arterial, colesterol e doenças sexualmente transmissíveis também devem ser feitos a partir dos 20 anos. Já aos 50 anos, o Ministério da Saúde recomenda que os homens que têm histórico de câncer na família façam exame de próstata.
O coordenador da Saúde do Homem do Ministério da Saúde, Eduardo Chakora, conta que os homens são mais resistentes na hora de cuidar da saúde porque eles têm dificuldade de dizer o que sentem. Ele explica a importância de se cuidar. ''Os homens, que de alguma maneira cuidam da sua saúde, podem preservar o seu bem mais precioso mantendo-se saudável durante todo o ciclo de vida. Um homem que está saudável, que está sempre nutrindo e gerando a vida, nunca lesa e destrói. Esse é o conceito mestre que a gente tem buscado trabalhar, que um homem que se cuida pode se preservar saudável durante toda sua vida.''
De acordo com Chakora, fazer exercícios físicos, não fumar, beber moderadamente e ter uma alimentação saudável reduz consideravelmente os riscos de desenvolver doenças que vão prejudicar a saúde.
Hábito
Realizar exames periódicos deveria ser um hábito entre os homens, mas não é difícil encontar pessoas que se recusam ou evitam as consultas médicas. Os motivos alegados quase sempre são relacionados à falta de tempo, nem sempre justificados, uma vez que as mulheres também trabalham e nem por isso deixam de frequentar os consultórios.
''Talvez essa resistência de ir ao médico por parte dos homens seja uma questão cultural devido à imagem do homem forte e resistente, mas que eu acho uma bobagem'', afirmou o professor Sérgio Cavalheiro, de 39 anos, em entrevista à FOLHA. No entanto, ele mesmo confessou que não faz prevenção. ''Eu só vou ao médico quando estou 'morrendo', pois depois que comecei a trabalhar sempre houve dificuldades para sair e realizar exames'', afirmou. Ele declarou que a única enfermidade grave que teve foi uma pedra na vesícula.
A justificativa do escriturário Nilton Ehara, de 49 anos, é semelhante. ''Medo de médico eu não tenho, mas deixo de ir a uma consulta por falta de tempo devido ao trabalho'', relatou. Ele confessou que faz cinco anos que não vai a uma consulta e informou que fez um exame de sangue recentemente, mas só porque o trabalho exigiu. ''Eu não vou ao médico. Sei que o fato de deixar de se consultar é uma das causas da incidência maior de morte entre os homens do que entre mulheres, pois isso faz com que nós não saibamos os problemas que temos, ou seja, sei que tenho de ir, mas não vou'', explicou.
A aparente boa saúde também pode servir como argumento para evitar os médicos. O gestor imobiliário Giuliano dos Santos, de 42 anos, relatou que sempre cuidou da saúde e também é adepto da prática esportiva, realizando corridas com frequência. ''Eu, graças a Deus, nunca tive problemas de saúde, talvez por isso esteja fugindo'', ponderou. Ele confessou que a última vez que foi ao médico foi quando ainda era criança e nem tem lembranças de quando foi que isso aconteceu. No entanto, afirmou que já conheceu uma pessoa que morreu por diagnosticar tardiamente o problema. Santos tem ciência de que já está na hora de começar a realizar os exames.
Desconfiança
Há também aqueles que agem com desconfiança diante de um diagnóstico desfavorável. O comerciante Claudemiro de Almeida Nobre, de 41 anos, afirmou que já teve dois casos em que foi diagnosticado de maneira incorreta. ''Um médico já falou que eu era hipertenso, mas eu não era. Outro médico disse que eu deveria fazer uma cirurgia nos olhos, mas o problema era só nos óculos. Eu prefiro correr riscos do que ser tratado por algo que eu não tenho'', argumentou.
Alheio a todas essas justificativas, o bancário aposentado Lourenço Martins, de 72 anos, realiza check-ups preventivos frequentemente e declarou que mantém uma alimentação saudável aliada a uma caminhada matinal diária. ''Eu não sei porque o pessoal não frequenta os consultórios médicos. Não custa nada fazer um check-up geral uma vez por ano'', afirmou.
Outra pessoa que frequentemente vai ao médico é o vendedor José Roberto Scaloni, de 56 anos. Ele afirmou que vai ao cardiologista e ao urologista de seis em seis meses. ''Como tenho mais de 45 anos, procuro sempre cuidar de minha saúde. Tenho pressão alta, por isso não posso me descuidar'', expôs. (Com Agência Saúde)

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