As dificuldades para aproveitar carros doados pela RF
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quinta-feira, 02 de abril de 2009
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Um pátio abarrotado, com uma frota de veículos maior do que a de muitos municípios do Paraná. Essa é a imagem da Estação Aduaneira do Interior (Eadi) da Receita Federal (RF), em Foz do Iguaçu. Ao todo, o local, a céu aberto, abriga 6,5 mil veículos, entre carros, motos, caminhões e ônibus. Uma ''fortuna automotiva'' de valor incalculável que estraga debaixo de chuva e sol, apesar do esforço da Receita, que intensificou as doações desses veículos para órgãos públicos e entidades filantrópicas nos últimos anos. Em 2008, 3.427 automóveis foram doados. Mas outros 2.977 foram apreendidos. Esvaziar o pátio parece ser missão impossível.
''Nossa média de apreensões é de 10 veículos por dia. É muita coisa'', enfatiza a assessora de comunicação da Receita em Foz, Christiane Larcher. ''É de interesse nosso não manter os veículos no pátio. Procuramos dar destinação até para as sucatas'', ela completa.
No entanto, as artimanhas utilizadas por quem utiliza automóveis para transportar ''muambas'' ou drogas são tantas que fazer com que os veículos apreendidos voltem a circular não é fácil. Até o ano de 2005, a estratégia dos criminosos era utilizar ônibus e formar grandes comboios. Em 2006 e 2007 houve a ''fase da sucata'', com carros muito velhos sendo utilizados para transportar grandes valores em mercadorias oriundas do Paraguai. Atualmente, são utilizados carros mais novos financiados a perder de vista e com poucas parcelas pagas.
Em 2008, 80% das prefeituras dos municípios dos estados do Paraná e Santa Catarina, que formam a 9 Região Fiscal, receberam a doação de veículos que estavam na Eadi de Foz. Santa Fé (47 km ao Norte de Maringá) é um deles. O prefeito Fernando Brambilla diz que dos seis automóveis recebidos - um ônibus, uma Kombi, um Tempra, um Prêmio, um Tipo e um Fiorino - dá para utilizar três. O Prêmio tem documentação de São Paulo e a Prefeitura não consegue regularizá-la. O Fiorino e o Tempra foram avaliados em R$ 5 mil e R$ 3 mil, respectivamente, e serão leiloados. ''Apesar dos problemas, acabou sendo bom para o município receber as doações'', ameniza o político.
Em Tamarana (62 km ao Sul de Londrina) a situação é semelhante. O município recebeu seis veículos, mas só três estão em condições de uso: um ônibus, um Uno e uma camionete F-1000. Estão encostados uma van, que tem documentação paraguaia, uma Kombi e um Fiorino, ambos com problemas judiciais por conta de financiamentos bancários. ''No momento que recebemos as doações até que valeram a pena. Mas recomendo a quem está pleiteando que faça uma avaliação minuciosa do que vai receber'', ressalta o diretor de finanças da Prefeitura de Tamarana, Cleudemir José Catai.


