'As crianças pedem e fico com pena'
A realidade de Londrina não parece diferente da observada pela pesquisa da Unifesp. Mães entrevistadas pela reportagem da FOLHA admitiram ter oferecido alimentos industrializados aos filhos precocemente apesar das advertências dos médicos sobre os riscos da prática.
''Como as crianças gostavam, eu achei que não tinha problema'', afirmou a auxiliar de trânsito Juliana Carlota do Santos, mãe dos gêmeos Emanuele e Pedro Henrique, de 1 ano e 9 meses, que ofereceu biscoito e sobremesas lácteas aos bebês quando eles tinham sete meses e refrigerante com um ano. ''Tento evitar doces, mas as crianças pedem e fico com pena'', acrescentou ela, que amamentou os filhos até os quatro meses.
A dona de casa Jennifer Stefani Anec, mãe de Carlos Eduardo, de 1 ano e 4 meses, amamentou o filho até os 5 meses e depois passou a oferecer o leite de vaca integral. ''Queria começar a trabalhar e tirei o peito'', justificou ela, que deu biscoito e sobremesas lácteas ao filho aos quatro meses, antes mesmo de iniciar a oferta de papinhas. ''Achava que ele tinha vontade. Minha mãe deu esse tipo de alimento aos filhos, por isso, acho que não faz mal.''
Consciente da importância da boa alimentação para a saúde da pequena Manuela, de sete meses, a fonoaudióloga Fernanda Tyminski Branco Sanches pretende manter a filha em aleitamento materno até pelo menos um ano, apesar de oferecer o complemento de fórmulas infantis. ''Comecei a dar a fórmula quando tive mastite e ela acostumou'', justificou.
As frutas foram introduzidas poucos antes dos seis meses porque a mãe precisava voltar a trabalhar. Os primeiros alimentos foram oferecidos de forma gradual para identificar possíveis alergias. ''Ela só come produtos naturais, nunca experimentou nada industrializado'', ressaltou a fonoaudióloga, que não pretende apresentar os doces à garotinha. ''Sei que o açúcar refinado não é necessário.''(C.A.)





