''Os jovens de hoje não têm o micróbio que estimula a coleção''. É nesse tom de brincadeira que o aposentado Nelson Lindolfo Porto Campos, colecionador há 50 anos, comenta a falta de vontade de colecionar dos jovens. Campos herdou parte da coleção de selos, moedas e caixas de fósforos do pai, seo Euclides Paiva Campos. ''A outra parte ficou com um irmão. Outros irmãos não tiveram interesse em dar continuidade à coleção. Eles não têm esse micróbio, essa coisa que nos estimula a colecionar'', diz.
A coleção de Campos é grande e bem diversificada. São moedas, selos, relógios de corda (todos em funcionamento), fotos de Londrina, caixas de fósforo, postais japoneses, conchas de praia, chaveiros, lápis, cartões telefônicos e até penas de caneta.
Ele não tem o hábito de contar quantos objetos possui em sua coleção, mas garante que tem mais de 200 mil moedas e notas de dinheiro de mais de 130 países, entre elas a primeira nota usada no Brasil, com data de 1833, conhecida, segundo ele, como ''troco do cobre''. Campos guarda também, com cuidado, a primeira Constituição do Brasil, datada em 1882.
O dinheiro japonês era a paixão do pai de Campos. Organizadas em pastas, as notas seguem um cronograma histórico mostrando as ocupações japonesas em diversas partes do mundo. Campos guarda moedas de 1900 lançadas no 4º centenário do descobrimento do Brasil, e uma antiguidade: uma moeda com data de 37 d.C., de Nero Cesar Augusto Atium, de Roma.
''Se toda criança fosse estimulada pela família a adquirir o hábito de colecionar, qualquer coisa que seja, com certeza haveria menos crianças nas ruas. Esse hábito proporciona educação e conhecimento'', ressalta. (F.B.)

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