As 'celebridades' da Biblioteca
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terça-feira, 26 de outubro de 2004
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Até a próxima sexta-feira, é realizada a Semana Nacional do Livro e das Bibliotecas, com o objetivo de estimular a leitura em um país em que apenas 30% da população adulta alfabetizada lê pelo menos um livro a cada trimestre. Na Biblioteca Pública Municipal de Londrina, a popularização da internet causou uma leve queda na procura por livros e semanários, mas o local ainda é um dos mais visitados da cidade: 1,6 mil pessoas passam por ali diariamente.
Com tanta gente pelos corredores, não é difícil detectar quais são as obras mais concorridas. Os intelectuais podem até torcer o nariz, mas não adianta: entre os livros mais lidos, de um acervo de 79 mil volumes, reinam autores como Sidney Sheldon, Paulo Coelho, Danielle Steel, Agatha Christie e J. K. Rowling, esta última a preferida dos adolescentes. São autores que descobriram a fórmula que os leitores gostam, e em se tratando deles, título nenhum esquenta as prateleiras.
Há casos em que o prazer de ler compensa sacrifícios. Como os feitos semanalmente pela dona de casa Maria Emília Mello Rubim, 63 anos, moradora do Jardim Piza (Zona Sul), para chegar até a Biblioteca Municipal, no Centro, e poder escolher um título na prateleira dos seus autores preferidos. Mesmo tendo estudado apenas até o 2º ano do ensino fundamental, dona Maria reserva uma parte considerável do seu tempo às letras. ''Além dos livros que pego na Biblioteca, leio também outros que empresto das minhas filhas e netas. Também adoro ler revistas nos consultórios médicos.''
A exemplo de milhões de outros leitores espalhados pelo mundo, ela adora os romances tipo água-com-açúcar de Danielle Still e os suspenses de Sidney Sheldon. ''Já li todos do Sidney Sheldon e os escritora espírita Zíbia Gasparetto, então passei para os da Danielle Steel'', contou, logo depois de fazer a devolução de ''Ânsia de Viver'', da autora. ''Amo ler. Não tenho muito estudo, mas muito do que sei aprendi através da leitura'', diz Dona Maria, revelando que também gosta das obras de Irwin Shaw.
Para a balconista Andrea Cristina Martins, 28 anos, ler também é um hábito, e mais uma vez, os enredos preferidos são os de romance e ficção. Os de Sidney Sheldon e Danielle Steel foram os primeiros a serem 'devorados'. Agora ela está conhecendo a obra de Anne Rice. ''O primeiro que li foi 'Entrevista com o Vampiro'. Hoje devolvi 'O Servo dos Ossos'. São livros fáceis de entender, e eu aproveito para ler no horário de almoço, dentro do ônibus, antes de dormir ou sempre que tenho uma folguinha'', relata Andrea.
Segundo a diretora da Biblioteca, Célia Regina Zambaldi Gléria, sempre que há um título bastante procurado, tenta-se colocar o maior número possível de exemplares à disposição dos leitores. Outra preocupação é o estímulo à leitura em todas as formas possíveis. ''Nosso grande desafio é disponibilizar os suportes onde a leitura esteja presente ou a estimule, como os vídeos.'' De acordo com Célia, sempre que uma obra é transportada para o cinema ou para a TV, aumenta, e muito, a procura pela versão impressa.
No balcão de entrega e retirada de livros, Sidney Sheldon encabeça a lista dos mais procurados. Entre os títulos, os destaques são ''O Mundo de Sofia'', de Jostein Gaarder; ''O Senhor dos Anéis'', de J. Tolkien; ''A Casa do Terror'' e ''Gente de Estimação'', de Pedro Bandeira; ''Quem Ama Educa'', de Içami Tiba; e ''O Xangô de Baker Street'', de Jô Soares.
No sebo mais antigo da cidade, o Sebo Londrina, os mais procurados são ''O Senhor dos Anéis'', a série de Harry Potter, ''O Capital'', de Karl Marx, e ''O Príncipe'', de Maquiavel, além de todos os titulos de Sidney Sheldon e Luís Fernando Veríssimo.
Fazendo contraponto com estas obras, é possível encontrar na Biblioteca Pública alguns exemplares que nunca foram retirados da prateleira. Entre eles estão a coleção ''Nossos Clássicos'', que traz, por exemplo a antologia de João Alphonsus e ''José Bonifácio, o Velho'', de Teixeira de Pascoas. Na mesma condição estão alguns exemplares da coleção Chronicas, de Machado de Assis, do final do século 19.


