As belas orquídeas da professora Lourdes
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quinta-feira, 21 de junho de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
A casa da professora aposentada Lourdes Zacar Perre tem sempre um colorido e um perfume especial. No grande quintal, ela cultiva cerca de 300 espécies de orquídeas, que encontraram ali as condições ideais para se desenvolverem e florescerem. Lourdes iniciou o hobby ao ganhar um vaso da flor, e hoje integra um grupo de abnegados admiradores da espécie, que no mundo todo ajudam a movimentar um mercado de aproximadamente 30 bilhões de dólares. ''Para mim funciona como uma terapia'', confessa a professora.
Hoje é Dia do Orquidófilo, que segundo o dicionário é aquela pessoa que admira e se dedica ao cultivo de orquídeas. A palavra orquidofilia vem do grego orchidos + filein, que é o mesmo que amar orquídeas. No Brasil, os primeiros ''cultivadores'' de orquídeas foram os índios, que faziam rituais com orquídeas com finalidades mágicas e medicinais, além de utilizarem a flor para fazerem cosméticos e enfeites. Portanto, os índios devem ter sido os primeiros orquidófilos do Brasil.
Lourdes não se considera uma orquidófila, mas se encaixa perfeitamente na definição escrita no Houaiss. Até porque, nos últimos 10 anos, ela leu muito sobre o assunto, descobriu os principais segredos do cultivo e os nomes de várias espécies. ''Este é um vaso de oncidium, um dos poucos que estão floridos nesta época'', diz sobre os delicados cachos em tom amarelo vivo, para em seguida mostrar um pedaço de tronco de ipê todo coberto de sofronitis, amparado por amarrações feitas por suas hábeis mãos.
Em cada canto da casa de Lourdes surge uma espécie diferente. Algumas já estão enfeitadas nestes meses que antecedem a primavera, como as belas catléias exibidas à entrada da cozinha, ou o ''sapatinho'' (a professora desconhece seu nome científico) que se destaca no verde da estufa. Sim, porque na casa de Lourdes também tem uma estufa, construída junto a um bem-cuidado gramado. ''Não posso mais comprar novas mudas, porque teria que construir outra estufa e não há espaço. É uma tortura quando vou na feira e passo pela banca de flores. Meu sonho é morar em uma chácara com muitos ipês, que é uma das árvores onde as orquídeas melhor se desenvolvem'', conta.
Lourdes revela que matou muitas mudas no início, sem saber que as orquídeas não podem ter as raízes enterradas. Aos poucos ela foi aprendendo os pequenos segredos do cultivo: os tipos de madeira a que as espécies melhor se adaptam, a quantidade certa de água e claridade, quando as plantas precisam de adubo, o melhor lugar para se desenvolverem, a dose certa de atenção. ''Nunca deve ter água acumulada sob os vasos. Elas não gostam'', ensina.
De tanto apertar o substrato durante o plantio das mudas, a professora aposentada abriu os dois pulsos, o que lhe causa dores nos dias em que mais trabalha nas plantas. ''A aparência das mãos e unhas também não fica das melhores, porque não consigo trabalhar com luvas.'' Mero detalhe, que só incomoda a ela mesma. Afinal, o que são unhas com um pouquinho de terra, diante do colorido estonteante das flores de Lourdes?


