As baronesas de Londrina
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segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Londrina - De toda a vida escolar, as primeiras professoras, certamente, são aquelas que ficam guardadas na memória. E, ao olhar a foto das "baronesas" de Londrina, muitos adultos de hoje vão recordar de sua infância. Professoras do tradicional Colégio Estadual Barão do Rio Branco - por isso, o título baronesas - essas mulheres trabalharam durante vários anos da vida profissional na escola e todas, sem exceção, se aposentaram lá. Muitas delas, inclusive, estiveram presentes desde a fundação, quando existiam apenas quatro salas de madeira. Este ano, o colégio completa 50 anos e realiza uma série de atividades em comemoração ao jubileu de ouro.
Mas o que poucas pessoas sabem, até mesmo professores atuais da escola, é que este grupo de professoras continua se encontrando até os dias de hoje. Amigas desde aquela época, há 17 anos a reunião mensal é tida como sagrada, seja para confraternizarem ou apenas darem boas risadas juntas. Ao longo do tempo, elas também já fizeram várias viagens juntas. A próxima acontece neste mês, para uma região de águas termais. "Esse grupo surgiu naturalmente da união, solidariedade e das afinidades entre nós. Passamos juntas por muitas situações no passado e continuamos alimentando os laços. Hoje, somos em 14 professoras", comenta Alice Okano.
Além de Alice, completam o time das baronesas Sonia Raff, Nely Fukuti, Paulina Silveira, Rosária Silveira, Orlanda Fernandes, Maria Aparecida de Almeida, Enedir Faustini, Sonia Valdiviso, Tereza Diana, Natasha Ogurtosova e Maria de Lurdes Zanetti. Professoras muito dedicadas, como fazem questão de frisar, lembram que seu papel ia muito além da educação. "Não existia merenda escolar fornecida pelo Governo. Nossa escola era a única que oferecia lanche aos alunos. Nos mobilizávamos, então, para arrecadar comida nos mercados, açougues e sacolões e colocávamos a mão na massa para cozinhar para as crianças", conta Paulina, primeira diretora do Barão.
Mobilização
Considerada uma grande mãe por todas as professoras, ela não media esforços para ver o progresso da escola. "As salas eram muito quentes e abafadas, por isso, saímos pedindo material de construção para a ampliação da escola. Meu genro foi quem construiu uma parte do antigo pátio", lembra ela, que deu um relógio da família em troca do pagamento. E esse empenho, portanto, era comum e cada uma ajudava de alguma forma. "Uma vez levei a máquina de costura e fiz todas as cortinas da escola naquela época. Também fiz manutenção nas carteiras e cadeiras", revela Sonia, uma das professoras da primeira leva.
O esforço da equipe era indispensável para o bom andamento da escola, tanto que eram corriqueiras as realizações de almoços como feijoada para angariar fundos. As professoras contam que gostavam desses momentos porém, mais ainda, das festas em datas comemorativas. "As gincanas e a semana folclórica eram nosso momento de descontração", diz Orlanda. Todas essas atividades, segundo elas, só eram possíveis porque havia participação e apoio da Associação de Pais. "Era preciso muita luta para melhorarmos as escola, mas era uma luta pelo investimento. Hoje, os professores enfrentam a luta dentro da sala de aula. O que nos motivava é que éramos respeitadas pelos pais e alunos", conta Nely, que foi coordenadora por vários anos, e considerada uma das mais "bravas" pela turma.
Como parte da comemoração do Jubileu da escola, professores atuais ficaram responsáveis em realizar algum projeto. Simone Bordonal, que atua no colégio, foi quem recolheu depoimentos das baronesas para um vídeo. "Muitos professores não sabiam da existência dessas mulheres guerreiras que fizeram tanto para tornar a escola no que ela é hoje. O contato com elas me fez perceber o laço de amizade que criaram e mantiveram, que não acontece com tanta frequência. Essa união foi a maior lição que aprendi com as baronesas."
Há pouco mais de um mês, o grupo foi convidado a retornar à escola para uma homenagem; muitas delas nunca mais tinham voltado ao local depois da aposentadoria. "Fiquei encantada com o tamanho e estrutura do colégio e lembrar que tudo começou naquelas salinhas de madeira. O que me deixou mais feliz ainda foi ver o entusiasmo e energia dos professores que estão lá hoje. É bom ver que nosso exemplo em "fazer acontecer" permaneceu", diz Enedir.


