Mário CésarOco perigosoEliel dos Santos e Cláudio Nunes, da FNS: técnicos alertam para evitar proliferação dos mosquitosAs árvores também podem se transformar em depósito para o desenvolvimento do ovo do mosquito que transmite a dengue. O alerta é de técnicos da Fundação Nacional de Saúde (FNS) que encontraram no jardim Mediterrâneo, bairro de classe média e alta da zona sul de Londrina, diversas árvores contendo larvas do mosquito. São flamboyants, cujos troncos se ramificam e forma uma cavidade onde a água da chuva fica parada. Nessa água, o inseto coloca seus ovos.
Só em uma rua daquele bairro foram encontradas seis árvores com larvas do mosquito que transmite a dengue, segundo os educadores de saúde da FNS Eliel Joaquim dos Santos e Cláudio Nunes. A primeira providência foi colocar um larvicida na cavidade, mas os técnicos aconselham os moradores a ficar atentos e tampar com terra ou areia a cavidade das árvores.
Segundo Eliel Joaquim dos Santos, no caso das árvores, o mais provável é o desenvolvimento do Aedes albopictus, conhecido como Tigre Asiático, que pode transmitir a dengue, a dengue hemorrágica e a encefalite. Isso porque este tipo de mosquito costuma colocar seus ovos em árvores. O Aedes aegypti, mais comum no Brasil, tem hábitos urbanos, comenta Cláudio Nunes, e desova em depósitos artificiais: garrafas, pneus, vasos de plantas, entre outras coisas. O Aedes aegypti transmite a dengue, a dengue hemorrágica e a febre amarela.
Em Londrina, o índice de proliferação do Tigre Asiático atinge 1,8% das residências. O índice de proliferação do Aedes aegypti era de 6,8% no ano passado - a Organização Mundial de Saúde aceita até 2,5%. O Tigre Asiático foi identificado pela primeira vez no Brasil em 1986 e acredita-se que ele tenha chegado aqui através de vias portuárias.
Os educadores de saúde lembram que o verão é a época do ano mais propícia para a proliferação do mosquito transmissor da dengue, devido às constantes chuvas e à temperatura elevada. Nesta época do ano, a transformação do ovo em larva leva menos tempo que no inverno. Além disso, a temperatura fria pode matar os ovos.
No ano passado nenhum caso de dengue foi confirmado em Londrina, apesar de a FNS ter feito 127 notificações. Em 96, a Fundação registrou mais de 1.000 notificações e 400 foram confirmadas. Eliel dos Santos comenta que em 97 a FNS realizou campanha para evitar a proliferação do mosquito e identificar os sintomas da doença. Houve também a pulverização de inseticida na Cidade.
Para se evitar a proliferação do mosquito, os técnicos da FNS pedem que a população evite jogar lixo em terrenos baldios, lave as vasilhas de água dos animais domésticos e renove sempre a água. Eles aconselham também a população a substituir a água do vaso de flores por areia ou terra e não deixar líquido no prato destes vasos. ‘‘Nas residências, a maior incidência da larva é encontrada em vasos’’, diz Eliel dos Santos.
Os pneus também não devem ser deixados em qualquer lugar, para evitar que se transformem em depósitos de água parada. A FNS mantém uma equipe de quatro homens que constantemente percorrem borracharias, oficinas e ferro velhos da Cidade, passando inseticida nos pneus e outros objetos.
Os sintomas da dengue são febre alta, dores de cabeça (principalmente na região frontal), dores nas articulações, dores no corpo, falta de apetite e manchas avermelhadas na pele. Quem apresentar estes sintomas deve procurar imediatamente um posto de saúde e evitar tomar remédios sem orientação médica (alguns medicamentos agravam o problema).

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