Várias árvores e galhos que caíram durante temporais registrados nos últimos meses de 2017 em Londrina permanecem nas calçadas, praças e canteiros de vias à espera de recolhimento. O problema é mais visível na zona leste. Quem circula pela avenida Robert Koch, por exemplo, pode observar vários galhos e troncos que estão jogados no canteiro central desde o dia 20 de novembro. Foram cerca de 260 árvores derrubadas pelos ventos e pelas chuvas em menos de dois meses. Desse total os bombeiros foram acionados em 66 casos para realizar buscas e salvamentos que exigiram o corte ou remoção das árvores. Nesse período uma monitora da Zona Azul morreu atingida por um dos galhos e um cinegrafista fraturou várias costelas pelo mesmo motivo.

Árvore impede passagem de veículos na rua Leopoldo Meier, no jardim Tarumã
Árvore impede passagem de veículos na rua Leopoldo Meier, no jardim Tarumã | Foto: Fotos: Ricardo Chicarelli



Em um dos casos de queda de árvore a rua permanece interditada até hoje, na rua Leopoldo Meier, no jardim Tarumã (zona leste). "Já tiraram duas árvores que tinham caído na rua. Cheguei a ficar uma semana fora de casa e imaginei que nesse período retirariam a outra árvore, mas isso não aconteceu", criticou a massagista Aline Teiko Silveira, dizendo que sua tia e alguns vizinhos ligaram para a Sema (Secretaria Municipal de Ambiente) para solicitar a retirada. "Agora eu tenho que dar a volta de carro na quadra para vir para casa", lamentou. Para ela, um dos grandes problemas é em relação à segurança, já que sua casa fica na esquina e à noite o local não está sinalizado. "Aqui fica muito escuro e os motoristas não têm visão por causa da árvore", alertou.

Na rua Amauri de Oliveira, no jardim Aruba (zona leste), o autônomo José Idésio reclama que a árvore caiu no dia 20 de novembro e até agora não foi removida. "Liguei três vezes na Sema. Os funcionários recolheram as árvores caídas em frente da casa de meus vizinhos, mas a que fica em frente da minha casa não foi retirada." Ele disse que a queda da árvore gerou um prejuízo grande, já que a árvore destruiu o poste de energia e caiu sobre o carro do vizinho. "Eu tive que refazer o 'Padrão Copel', porque o poste caiu atingido pela árvore", relatou.

O vendedor autônomo Evanildo Botelho questiona a logística da remoção. Ele conta duas árvores caíram na calçada em frente à sua casa, que fica na esquina das ruas Carlos Inácio Alves e Sílvio Correia da Silva, no jardim Pérola (zona leste). "Só retiraram a que estava na rua Carlos Inácio Alves. A que caiu na outra rua, que estava a poucos metros da outra, não levaram."

O técnico mecanógrafo aposentado Paulino Paes de Pontes observou que muitos dos seus vizinhos contrataram empresas particulares ou autônomos para fazer a retirada das árvores que caíram no bairro, no conjunto Ernani Moura Lima 2 (zona leste), mas que ele não tem condições de arcar por um serviço desses. "A Sema cortou a árvore em vários pedaços, mas eles foram deixados aí."

José Idésio, morador do jardim Aruba: "Liguei três vezes na Sema"
José Idésio, morador do jardim Aruba: "Liguei três vezes na Sema"



Problema deve ser solucionado em 3 semanas


O diretor operacional da secretaria municipal do Ambiente (Sema), Paulo Roberto Guilherme, garantiu que o recolhimento dos troncos e galhos de árvores que caíram nos últimos vendavais em Londrina deve ser feito em até três semanas. "Os troncos de árvores foram quase todos recolhidos. Os que ficaram é porque a situação é mais delicada, porque as raízes estão envolvendo tubulações da Sanepar. É o caso do jardim Aruba (zona leste) e também há outro caso semelhante no jardim San Isidro (zona sul)", justificou. Com relação às galhadas, o diretor afirmou que estão em 70 calçadas. O recolhimento deve ser realizado também nas próximas semanas. Foram cerca de 260 árvores derrubadas pelos ventos e pelas chuvas em menos de dois meses.

Cerca de 260 árvores derrubadas pelos ventos e chuvas nos últimos meses de 2017
Cerca de 260 árvores derrubadas pelos ventos e chuvas nos últimos meses de 2017 | Foto: Saulo Ohara/21-11-2017



Sobre a árvore caída e obstruindo totalmente a rua Leopoldo Meier, na zona leste, Guilherme afirmou que não tinha conhecimento, mas que irá providenciar a remoção imediata.

Guilherme informou que existem pouco menos de duas mil árvores na fila da Sema para serem erradicadas. Ele acredita, porém, que muitos processos já foram executados, mas não receberam baixa. Ele explica também que o corpo operacional da Sema é formado por apenas 14 pessoas, dos quais quatro são podadores e o restante auxiliares ou motoristas. "O corpo operacional ideal seria de no mínimo 30 pessoas divididas em seis equipes. Além disso temos deficiência de equipamentos, temos poucos caminhões e poucas motosserras", argumentou.

Uma alternativa para solucionar a falta de mão de obra foi o convite para as entidades sem fins lucrativos e instituições filantrópicas participarem do edital de doação de lenha. As entidades se responsabilizariam pelo recolhimento, transporte e utilização da madeira, que poderia ser usada em caldeiras para aquecimento de água, artesanato, marcenaria e outras atividades. O produto também poderia ser comercializado.

Porém, apenas uma entidade assistencial se mostrou interessada. "Esperávamos que mais instituições fossem aceitar o convite. Frustra as expectativas, mas temos que agir. Já estamos estudando um plano B", afirmou a gerente de Áreas Verdes da Sema, Simone Vecchiatti.

A secretária municipal do Ambiente, Roberta Silveira Queiroz, observou que a população aproveita o acúmulo de galhos e troncos para jogar outros resíduos, oriundos do quintal de suas casas. "Além disso a população ameaça atear fogo nesse material para ter conotação de urgência, mas isso não ajuda nada. É preciso a contribuição de todos e que haja mais consciência ambiental."

BALANÇO
A Defesa Civil divulgou um balanço dos estragos causados pela chuva que caiu no sábado (6). Em menos de uma hora, choveu aproximadamente 55 milímetros e a região mais atingida foi a sul, nas proximidades do Lago Igapó 2. Na rua Professor Joaquim de Matos Barreto, que margeia o Igapó 2, houve um ponto de alagamento entre a rotatória das avenidas Ayrton Senna da Silva e Maringá, e a avenida Faria Lima. O trânsito foi interditado e liberado em seguida, após o escoamento das águas. Também houve um ponto de alagamento na avenida Dez de Dezembro, próximo ao 4º distrito policial, e o shopping Catuaí também sofreu com alagamentos. Foi registrada a queda de três árvores.

Tornado destrói granja


A bacharel em Direito Daiana Andrea Muller registrou no sábado (8), entre 14h15 e 14h50, um tornado na zona rural de Toledo (Oeste). "Levei um susto. Já tinha acontecido em Marechal Cândido Rondon, mas ver um tornado se formando ao seu lado nunca tinha acontecido comigo", declarou a moradora do distrito de Vila Nova, distante sete quilômetros de onde tudo aconteceu. Ela relata que estava com o namorado quando viu a nuvem começar a afunilar. "Estava com muito vento e frio. De repente a nuvem começou a afunilar, desceu e encostou no meio do matagal. Aí começou um estrondo bem forte e começou a estragar tudo. Resolvi parar de filmar porque começou a ficar cada vez mais forte."

A diretora de segurança e membro da Defesa Civil de Toledo Sirley Galbiati, esteve na granja atingida pelo tornado. "A granja de suínos tinha um galpão com 534 leitões e ao lado uma maternidade de suínos com 48 matrizes. Esses dois galpões ficaram destruídos. Nunca tinha visto algo semelhante", afirmou. "Os proprietários da casa tiveram muita sorte (porque não se machucaram)." O meteorologista do Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná), Tarcízio Valentin da Costa, confirmou que o fenômeno foi um tornado. "Para isso o funil precisa tocar o solo. Na estação meteorológica não foi registrado nada, mas pelo vídeo e pelas informações do radar meteorológico indicando forte instabilidade atmosférica no momento confirmaram que se tratava de um tornado." A velocidade estimada dos ventos foi acima 110 km/h. "Uma forte instabilidade se formou na região porque o clima estava quente. O cumulo nimbus, que é a nuvem de tempestade, tem corrente de ar de forma circular. Por isso a destruição é grande", expôs.
mockup