Árvores oferecem risco de acidente
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terça-feira, 28 de outubro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson MazzettoPerigoTimburi de 20 metros de altura plantado há 30 anos caiu próximo de um ponto de ônibus lotado; rua passou a manhã interditada para retirada de galhosA arborização urbana de Cascavel se transformou em fator de risco à segurança de pessoas e carros que passam por calçadas e ruas. Há quedas constantes de árvores plantadas há muitos anos e de forma aleatória, sem seleção de espécies adequadas. Nas últimas semanas, vendavais e tempestades comprometeram ainda mais a situação, afrouxando raízes, rachando troncos e derrubando algumas árvores.
Ontem, parte de uma gigantesca árvore caiu no centro da cidade e poderia ter provocado acidente grave. A árvore, identificada como timburi (ou orelha-de-macaco) e até então plantada nos jardins do Paço das Artes, na rua Paraná, tinha cerca de 20 metros de altura e cinco troncos de aproximadamente um metro de diâmetro. Ela foi plantada há 30 anos, na inauguração do prédio que na época sediou a prefeitura.
O local é de grande movimento e a árvore caiu sobre outra na calçada, a poucos metros de um ponto de ônibus no qual havia muitas pessoas. Durante a maior parte da manhã o trânsito ficou interrompido para que os bombeiros pudessem cortar a árvore inteiramente. Segundo o cabo Villas Boas, do Corpo de Bombeiros, a espécie é de madeira mole, facilmente afetada por ventos fortes.
Como aquela árvore, milhares de outras inadequadas foram plantadas ao longo dos anos, muitas delas arrancadas nas últimas tempestades. Além disso, raízes que atingem as calçadas são cortadas pelos moradores, comprometendo a sustentação de troncos e galhos. Segundo o secretário de Meio Ambiente, Paulo Valini, a prefeitura pretende desenvolver um projeto de substituição das espécies inadequadas.
Segundo um diagnóstico feito para a prefeitura e a Copel pela Fundação de Pesquisas Florestais da Universidade Federal do Paraná, ao longo de 705 mil metros de calçadas existentes nas ruas de Cascavel há 56,5 mil árvores, o que significa cerca de 8,5 metros quadrados de área verde para cada um dos 220 mil habitantes. Um dos problemas é que 55% das árvores estão exatamente embaixo da rede de energia da Copel.
A arborização urbana é composta por 61 espécies diferentes, das quais 35% são Ligustrum lucidum, enquanto especialistas indicam não ser recomendável mais de 15% de uma espécie em relação ao total existente. As outras mais plantadas são grevílea, magnólia e sibipiruna.
Os técnicos relataram que pelo menos 16% das árvores da cidade precisam ser inteiramente removidas, 25% necessitam de poda leve e 7% de poda pesada. O diagnóstico indicou a necessidade de elaboração de um plano de arborização que inclua a revisão de todas as plantas existentes, diretrizes para novos plantios e manutenção permanente, com podas adequadas.


