Um programa de disseminação de árvores frutíferas em bairros mais carentes da cidade de Cascavel começa a ser desenvolvido por órgãos municipais, com a proposta de contribuir para a redução dos níveis de desnutrição, considerados excessivos, caracterizando objetivamente fome. As árvores começam a ser plantadas em projeto piloto em terrenos e na frente de 500 moradias previamente selecionadas por agentes comunitárias de Saúde.
Levantamentos feitos pelo Município, através do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, indicaram que em bairros da zona oeste da cidade a desnutrição chega a 30% da população. Este percentual está ‘‘muito acima da média estadual’’, observa a nutricionista Márcia Cristina Dalla Costa, da Secretaria de Saúde. Ela manifesta preocupação especialmente com as crianças, por serem ‘‘vítimas indefesas’’ da desnutrição.
A partir do levantamento, começou a ser elaborado o Projeto Árvores Frutíferas, com envolvimento das secretarias municipais de Saúde, Meio Ambiente, Educação e Desenvolvimento Rural. O projeto está sendo aplicado inicialmente nos bairros Santa Cruz e Santo Onofre, entre os de população mais carente de Cascavel. Alunos de escolas municipais já receberam folhetos com orientação sobre a importância das frutas na dieta alimentar e cuidados com as árvores.
Os escolares reproduzem as informações em suas casas, e, paralelamente, está sendo orientado o plantio, a partir da preparação das covas, com aplicação de adubo e calcário fornecido pela prefeitura. As covas já abertas receberão as mudas esta semana, e as primeiras frutas escolhidas são manga e acerola, por terem massa alimentar e ricos componentes. Márcia Cristina Dalla Costa observa que a acerola é uma das frutas mais ricas em vitamina C.
‘‘Ela tem 100 vezes mais que o limão’’, relata. A vitamina C é uma das que contribuem para evitar doenças - a falta de vitaminas pode levar ao beriberi e escorbuto, por exemplo. A nutricionista defende o Projeto Árvores Frutíferas apesar de considerar que ‘‘pessimistas preferem ficar inertes, apostando no insucesso de iniciativas deste tipo’’. O município de Cascavel já desenvolve outro programa, pelo qual a própria população consegue melhoria alimentar.
Trata-se do ‘‘Lote Produtivo’’, que anualmente envolve cerca de 4,5 mil famílias, que plantam em até 15 mil terrenos não edificados, quase sempre com concordância dos proprietários. A prefeitura fornece sementes de milho, feijão, arroz, melancia, pepino, ramas de mandioca e outros produtos de fácil cultivo, e presta orientação técnica para o preparo da terra e cultivo. Além do abastecimento próprio, as famílias comercializam o excedente, garantindo renda complementar.

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